O vereador Ademir Andrade fez esclarecimentos nesta segunda-feira (20), por meio de nota enviada à imprensa, acerca da decisão proferida pela juíza federal Hind Kayath, que o condenou a devolver aos cofres públicos do Estado o valor atualizado de um montante que teria sido utilizado indevidamente para pagar contratos com empresas terceirizadas na época em que o político era presidente da Companhia Docas do Pará (CDP).
No documento, o vereador faz menção à longa trajetória política, culminando com o escândalo CDP, quando faz sua defesa “Hoje completou o julgamento de sete das doze ações e minhas esperanças de recuperação da minha imagem caíram por terra, pois fui condenado em duas delas. Se todas as pessoas pudessem ler e entender cada uma delas eu não teria receio, pois se veria que não dei causa a nenhum prejuízo a CDP, que não fui acusado de enriquecimento ilícito nem sou condenado a devolver qualquer dinheiro retirado da empresa, muito menos de receber propina.”
Leia, na íntegra, o pronunciamento de Ademir Andrade sobre o caso:
“Belém, 17 de dezembro de 2010.
Nada pior do que uma pessoa não acreditar em você. Imaginem milhares de pessoas fazerem um mau juízo ao seu respeito. Sou leitor de Voltaire e ninguém melhor do que esse escritor que viveu no século XV sabe discorrer com tanta perfeição os altos e baixos da vida, especialmente de lideres de todas as espécies.
Jovem ainda me tornei um homem de esquerda. Aprendi na família, no Cinema e na leitura o sentimento de indignação contra toda e qualquer injustiça e cresci com o desejo de consertar o mundo.
Somente por essa razão me tornei político. Lutei contra a Ditadura Militar, me filiei ao único partido de oposição que existia, o MDB e nele me elegi Dep. Estadual em1978, e Deputado Federal em l982 e Federal Constituinte mais votado do Pará em 1986.
No final de l987, me filiei ao PSB, aonde milito até hoje. Fui Senador da República e duas vezes candidato a Governador do Pará.
Em 2002, Lula ganhou para Presidente e eu apesar de ter tido 26% dos votos do povo do Pará, perdi a eleição para Governador.
Somente então depois de 25 anos de militância política na oposição, aceitei fazer parte de um Governo e atendi o convite para ser Presidente da Cia. Docas do Para. Trabalhei arduamente durante 03 anos, objetivando ajudar o crescimento econômico do nosso Estado e o fiz. Deixei então em 17.05.06.a empresa para ser Candidato. Havia a possibilidade de ser Governador com o apoio do Lula devido a uma articulação nacional com o PSB.
Em 24.04.06. aconteceu o escândalo da CDP, e sem lembrar de Voltaire e depois de ver os absurdos das acusações me defendi de forma contundente e publicamente contra as ilações dos representantes do MPF e do delegado responsável pelo inquérito da Policia Federal.
A partir daí, tenho vivido os piores momentos da minha vida, passando de um dos políticos mais acreditados do nosso Estado, a um político como o povo vê a quase todos os políticos: corruptos, egoístas e interesseiros.
Só então lembrando um dos mais inteligentes filósofos, Voltaire, me conformei acreditando ser essa minha fase ruim e partir para recuperar minha imagem com muito trabalho. Perdi a eleição de Dep. Federal em 2006. Em 2008 com muita dificuldade me elegi Vereador de Belém. Em 2010, apesar de ter tido 65.000 votos de confiança fiquei como 1º suplente de Dep. Federal.
Venci muitos processos judiciais relacionados à CDP e a forma como agi na minha defesa, alguns sendo inocentados, outros considerando a Justiça Federal incompetente para julgar uma empresa de economia mista como a CDP, todos sem repercussão na mídia.
Minhas esperanças renasceram quando começaram as audiências relacionadas não apenas a uma, mas a absurdas 12 (doze) ações de improbidade administrativa todas relacionadas a CDP e criadas pelo PMF, e que estão sendo julgadas pela conceituada Juíza Dra. Hind Ghassan Kayath. Falta depor em apenas uma delas, a que originou a denúncia apócrifa que deu nesse processo - o caso da PROBASE, a que mais anseio.
Hoje completou o julgamento de sete das doze ações e minhas esperanças de recuperação da minha imagem caíram por terra, pois fui condenado em duas delas. Se todas as pessoas pudessem ler e entender cada uma delas eu não teria receio, pois se veria que não dei causa a nenhum prejuízo a CDP, que não fui acusado de enriquecimento ilícito nem sou condenado a devolver qualquer dinheiro retirado da empresa, muito menos de receber propina.
No processo 2006.39.00.008788-8 fui condenado por um erro sem dolo da Comissão de Licitação que desclassificou uma empresa o que em tese teria dado um prejuízo de R$ 8.661,92 a CDP, somente porque assinei o contrato.
No processo 2006.39.00.008794-6, decidi executar a recuperação do acesso do píer do Porto de Outeiro, por emergência e determinei ao setor de engenharia que executasse a obra imediatamente. Na apuração dos fatos a Juíza concordou com a emergência. Mesmo assim, foi constatado irregularidades na coleta de preços realizado sobre a qual não tive nenhuma responsabilidade. Baseado em uma conversa telefônica com o proprietário da R&A, que tratei com absoluto desdém, feita 04 (quatro) meses antes do acidente que gerou a necessidade da obra em referencia, a Juíza conclui pela minha culpabilidade me condenando ao pagamento de uma multa civil no valor de R$ 20.000,00. Não houve prejuízo a CDP e a obra foi inteiramente realizada e concluída e não ha dinheiro a ser devolvido.
Lamentavelmente ninguém vai saber em quantos processos fui inocentado e o porque fui condenado nesses dois. O que a imprensa vai destacar é o fato da condenação. Ate admitia pagar multa e devolver recursos por erro de outros, mas nunca ser condenado em uma ação de improbidade administrativa, aonde não há comprovação de dolo, prejuízo ao erário, recebimento de propina ou enriquecimento ilícito. É portanto injusta, desproporcional e absurda a pena a perda de direitos políticos.
Ninguém vai lembrar as denuncias da época em que fomos acusados de desviar 55 milhões de reais e que agora somos simplesmente multados sem que seja demonstrado qualquer prejuízo a CDP.
Tenho que respeitar a rigidez e o exagero da sentença da Drª Hind Kayath, nas não posso concordar com ela. Felizmente a Justiça tem várias instancias e vamos recorrer da sua decisão. A impressão que fica é de que o que foi dito não pode ser desdito. Parece não ser permitido reconhecer um erro.
Uma pena. Eu esperava ser inocentado nos 12 processos e com isso recuperar minha imagem e confiança perante toda a população. Ansiava pelo julgamento Os altos e baixos da vida descritas por Voltaire, no meu caso estão passando do tempo contado em suas historias.
Isso atrasa em grande parte toda contribuição que poderia estar dando na luta política. Lamento que me tenha sido tirada mais uma vez a oportunidade de em sendo honesto, provar que sou honesto.
Embora chegue a quase cinco anos todo esse sofrimento, o essa condenação possa criar mais duvidas ainda, tenho que continuar lutando."
Para saber mais sobre a sentença judicial, leia aqui. (DOL)
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