A Secretaria Estadual de Educação (Seduc), na avenida Augusto Montenegro, virou um pátio de cobrança de dívidas de empresários que tentam receber, ao apagar das luzes do governo de Ana Júlia Carepa, o que o Estado lhes deve por conta de serviços prestados.
Na fila, fornecedores que temem não receber o dinheiro e que a conta seja repassada para o governador eleito Simão Jatene. Os nervos estavam à flor da pele e a irritação era ainda maior diante das promessas não cumpridas de pagamento. As queixas se acumulavam no primeiro piso da Seduc. Havia desde cobrança de R$ 3 milhões, passando por dívidas de R$ 1,2 milhão, até de R$ 260 mil.
Os cobradores realizaram obras, alugaram prédios e forneceram materiais diversos, além de livros para o Estado. “É só conversa, só desculpas. Uns dizem que o pagamento vai sair, mas outros não dão garantia nenhuma. Há até quem diga que se o dinheiro for depositado na conta nesse dia 30 o saque não será feito no dia 3, segunda-feira, porque o novo governador mandará bloquear o dinheiro”, relatou o empresário Rui Macedo.
Outros dois pequenos empresários, que se identificaram como Celso e Claudionor, criticaram o desencontro de informações sobre o pagamento. Um servidor da Seduc disse as mais de 50 pessoas que estavam na fila, no final da tarde de ontem, que o governo estava providenciando o remanejamento de rubrica e cancelando empenhos para ver se sobrava dinheiro para pagar os fornecedores.
FORA DO AR
Houve um princípio de tumulto quando foi anunciado que o sistema de computadores estava fora do ar e que não era possível saber se o repasse de recursos de alguns credores havia caído na conta bancária.
A segurança teve trabalho para acalmar os reclamantes. Jovens do interior do Pará que residem em casas de estudantes, cujo aluguel é pago pela Seduc, também engrossavam o coro de protesto, gritando que o governo estava aplicando o calote. Selma Oliveira disse que o Estado não paga os aluguéis há dois anos. Os estudantes vivem sob permanente ameaça de despejo.
O dono de uma construtora, visivelmente aborrecido, disse que tem mais de R$ 1,8 milhão para receber da Seduc, já esteve por diversas vezes na sede do órgão, mas saiu de lá ouvindo apenas promessas. Ele construiu escolas e reformou prédios e até agora não viu a cor do dinheiro. Com medo de sofrer represálias, ele pediu para não ter o nome divulgado. Mandou, porém, um recado ao governo: “cumpri minha parte, usei até recurso próprio para concluir as obras, mas vou até no inferno para receber o que tenho direito. Tenho empregados para pagar e dívidas acumuladas”.
Marcelo Rimes, que veio de Capanema até Belém, passou dois dias com um megafone na frente da Seduc, cobrando a dívida, literalmente, em alto e bom som. Saiu de lá tão insatisfeito como chegou. Teve de retornar a Capanema sob promessa de receber o pagamento nesta quinta-feira.
A Seduc reconheceu que há dificuldades para pagar todos os credores, mas informou que os repasses estavam sendo feitos por conta de remanejamento de recursos para pagamento de obras empenhadas. No caso das casas de estudantes, o pagamento deve ser efetuado hoje. (Diário do Pará)
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