A vela, um dos produtos que simbolizam a religiosidade, pode ficar cada vez mais escassa para o consumidor paraense. A falta de parafina, principal matéria-prima para a produção, que é fornecida pela Petrobras, não está sendo entregue regularmente desde dezembro de 2009. O que levou fábricas de velas a reduzir ou paralisar a produção.
Segundo Pedro Barbosa, proprietário de uma centenária fábrica de velas de Belém, o problema ocorreu devido à troca na forma de distribuição, que fez reduzir drasticamente o fornecimento de parafina. “Antes a matéria-prima, por ser derivada do petróleo, era distribuída diretamente pela Petrobras. Desde 2008, ela começou a trabalhar repassando a parafina para cinco distribuidoras, que revendem o material para as fábricas de todo o Brasil. A partir daí, a parafina aumentou em 30% e ficou cada vez mais difícil produzir velas”.
Segundo ele, como consequência, a produção reduziu em 80%. “Ainda estamos resistindo à crise do setor. Desde novembro do ano passado, no feriado de finados, quando elevemos a produção de velas, que a indústria está quase parada, os tonéis de parafina estão vazios. Para não prejudicar ninguém, tivemos que dar férias coletivas a sete funcionários, dos 12 que trabalhavam aqui. Estamos com mais de 30 encomendas pendentes, por não ter vela suficientes para atender a demanda”.
Ele ressalta que tentou exportar a parafina da Turquia e da China. “O consumidor começou a ter dificuldades para realizar a queima da vela. E percebemos que o produto do exterior não se adaptou à matéria-prima secundária brasileira, como o pavio e a embalagem”.
Outro problema ocorrido, segundo o empresário supermercadista Alaci Correa, foi que a exportação de parafina foi priorizada pela Petrobras, o que afetou o comércio interno do produto. “Os outros países começaram a comprar a nossa parafina, deixando apenas o excedente para ser consumido no comércio brasileiro”.
Ainda, segundo ele, o comércio varejista ainda não repassou o aumentos aos consumidores. “Por conta das dificuldades para encontrar velas para abastecer os supermercados, estimamos um aumento de 30% no produto, pois se existe pouca matéria-prima para atender a demanda, a tendência é que os preços comecem a subir e afetar o bolso do consumidor”. A Petrobras ficou de se manifestar por nota, o que não ocorreu até o fechamento desta edição. (Diário do Pará)
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