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Faltam leitos para tratar dependentes químicos

Uma vida marcada pela perda, desespero e solidão. Assim é a situação de pessoas que têm filhos ou familiares envolvidos no mundo das drogas. Além de lidarem com uma rotina marcada pelas dificuldades, eles precisam superar outro problema: a escassez de ate

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Uma vida marcada pela perda, desespero e solidão. Assim é a situação de pessoas que têm filhos ou familiares envolvidos no mundo das drogas. Além de lidarem com uma rotina marcada pelas dificuldades, eles precisam superar outro problema: a escassez de atendimento especializado gratuito. Com apenas um centro de atendimento ambulatorial especializado em Belém, o cenário é de longa espera para quem não tem mais condições de lidar com o transtorno e precisa do poder público.

“Perdi minha casa, meu emprego, não tenho mais vida própria, porque larguei tudo para cuidar do meu filho e lutar para a sobrevivência dele”, afirma Maria das Graças Damasceno.

Mãe de um dependente químico, ela afirma que um dos maiores problemas é a falta de assistência prolongada aos doentes, que não recebem instruções ou encaminhamentos adequados. “Passei 7 meses indo de um lado ao outro da cidade. Quando chegava num local, me mandavam ir para outro. Em alguns centros eu fui mais de 4 vezes”, reclama.

Em busca de um leito para o filho de 39 anos, ela procurou vários Centros de Referência de Assistência Social – CRAS, Casas de Apoio e até unidades de saúde, mas nenhum deles dispõe de estrutura para permanência extensiva. “Se eu não tivesse forças, já teria desistido. É preciso muita fé e determinação para não se abater com tantas negativas”, desabafa.

O número reduzido de leitos, 15 no total, ofertados pelo Centro de Cuidados ao Dependente Químico, denominado agora de Centro de Atenção Psicossocial 3 AD (Álcool e Drogas), tem uma explicação, garante a diretora da unidade, Elis Uchoa. “Nos últimos anos tem se estabelecido outro conceito de tratamento, que não foca a internação. A sociedade ainda está presa a uma mentalidade ultrapassada de que é preciso internar o paciente. Aqui, só fazemos isso em casos extremos”, informa.

Ela admite que o serviço é limitado, mas garante que quem procurar o local é bem recebido, citando que em 2010 foram realizados 862 atendimentos e 191 internações. Para Elis, a principal dificuldade está no apoio da família e da população. “Sabemos o quanto é desgastante, mas alguém precisa ajudar esse usuário para que ele tenha forças de retomar sua rotina com responsabilidade”.

Com essa determinação, Sidney Chagas acorda todos os dias em busca do tempo perdido. Frequentador da Casa AD (Álcool e Drogas), mantida pela Prefeitura de Belém, ele está há seis meses sem consumir nenhuma droga. Ex-morador de rua, tenta vencer o passado tumultuado participando de terapias em grupo, atendimento psicológico e outras atividades oferecidas pela Casa. “O atendimento aqui é muito bom, mas sei que nem todos têm acesso. Deveria haver mais centros e mais informação para os outros dependentes”.

Com 47 funcionários , entre enfermeiros, psicólogos e terapeutas ocupacionais, a Casa AD oferta um serviço de qualidade, mas apenas monitora os visitantes, que retornam periodicamente, dependendo da situação. Segundo o diretor da Casa AD, Paulo André Maia, o local recebe cerca de 250 pessoas por semana, oriundas de toda a Região Metropolitana de Belém. Único espaço municipal especializado em dependência química, ele enfrenta intensa procura. “Tivemos muitos resultados positivos, mas a demanda é grande e a estrutura limitada”, admite Paulo André.

Lembrando das promessas de campanhas tão divulgadas no último ano, Dona Maria das Graças tem esperanças em dias melhores. “Ouvi a presidente e o governador prometendo mais cuidados aos dependentes e acreditei. Enquanto não investirem na raiz do problema, acabando com o consumo, esse tráfico vai continuar matando muitos aí ”, diz. (Diário do Pará)

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