O auditor fiscal da Secretaria Municipal de Finanças, Antônio Fonseca, de 62 anos, foi despejado, na manhã de ontem (13), em cumprimento de uma ordem judicial. O idoso, que morava no local há 14 anos, estava há quatro sem pagar o aluguel do imóvel. Policiais militares da 24ª Zpol foram acionados para acompanhar a proprietária do imóvel e o oficial de Justiça na ação de despejo.
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Mas ao chegar à residência, os militares se depararam com uma situação bastante inusitada. No imóvel, o idoso acumulava uma enorme quantidade de lixo, o que tornou o lugar impróprio para a moradia de qualquer ser humano.
Dezenas de latas de creolina e embalagens de acetona estavam espalhadas pelo imóvel. O chão estava coberto de sacolas de lixo e lama. Nas paredes, imagens de santos se misturavam a símbolos satânicos. Bonecos e crucifixos estavam por todos os cômodos. Até um chifre e animais mortos foram encontrados no local. As janelas foram eletrificadas pelo idoso e o número 888 estava em todos os lugares.
Ao ser questionado sobre a situação do imóvel, o idoso disse ser um estudioso do esoterismo e que todo aquele entulho era, na verdade, seus livros.
Segundo vizinhos do idoso, o comportamento do homem assustava. De acordo com a “bicicleteira” Maria Sueli, há alguns meses um cachorro de rua apareceu em sua residência e o idoso se irritou porque ela recolheu o animal. Ela diz que Antônio afirmou que o bicho não duraria mais de três dias. “Ele não gostou que eu tivesse ficado com o cachorro e disse que ele não duraria três dias. No outro dia, o bicho apareceu morto na frente da minha casa. Eu acredito que esse homem é um bruxo.”
Enquanto policiais retiravam da residência o que ainda parecia ser utilizável, o idoso afirmava que todo aquele lixo era seu. “Isso são meus livros. Vocês não podem fazer isso. Preciso retirar meus pertences, tudo isso é meu”, relutava o idoso.
Antônio estava magro e dava sinais de que não se alimentava há muitos dias. Ele insistia em dizer que a casa era do coronel Nunes e que só deixou de pagar o aluguel porque seus vencimentos foram cortados.
Parte do material encontrado na casa foi colocado na calçada e o homem, que afirmava ser de Cametá e que aparentava sinais de estar mentalmente desequilibrado, ficou na rua sem ter para onde ir. (Diário do Pará)
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