Ontem (13) foi o segundo dia em que o pai do pequeno Patrick Bastos, de cinco anos, foi visitá-lo no “Espaço de Acolhimento Provisório Infantil”. A criança pode permanecer de três a seis meses no abrigo do Estado, tempo que a instituição tem para apresentar ao Juizado da Infância e da Juventude de Ananindeua um relatório completo da situação socioeconômica da família da criança, que foi sequestrada no dia 31 de dezembro de 2010.
“Vai demorar. Implica em entrevistar pai, mãe, avós e outros parentes, além de visitas domiciliares e ouvir os vizinhos para saber quem tem condições de ficar com essa criança. Por lei, temos de três a seis meses para entregar esse relatório à Justiça. Depois disso, o juiz ainda vai entrevistar novamente as pessoas para ter certeza do que é melhor para a criança”, explicou a diretora do abrigo, a psicóloga Alexandrina Santiago.
Segundo a gestora, a criança está bem adaptada e não estranhou o local. “Ele não chorou, brinca com as outras crianças. Está bem adaptado e não pergunta ou fala da família, assim como do que aconteceu com ele”.
Patrick está na casa de passagem desde o dia 4 de dezembro, quando foi levado pelo Conselho Tutelar de Ananindeua. No dia 3 de janeiro, ele foi entregue no conselho por Alzimar de Jesus Ramos, de 36 anos, acusado de sequestrar o menino. “Ele não fala sobre o que aconteceu. Parece que o fato está desaparecendo de sua memória. Normal para uma criança tão pequena. Ele tem apenas cinco anos, ainda é um bebê que precisa de cuidados”, disse Alexandrina.
Segundo o depoimento da família de Patrick, ele teria sido sequestrado por Alzimar na banca de bombons do avô, Manoel Santos, na BR-316, em um ponto de ônibus próximo ao Entrocamento. A versão apresentada por Alzimar à polícia é de que Patrick estaria perdido em via pública e por isso o teria levado.
Para a diretora do abrigo, seja qual for a verdade, não encobre a real situação - a de que ele estava em situação de risco. “Ele estava acompanhado do avô em uma venda de bombons, lugar em que não deveria estar. Patrick contou que até vendia bombons e pipoca. A rua não é o lugar de criança e sim, sob a responsabilidade de um adulto, em casa, protegido e recebendo amor e carinho”.
Na tarde de ontem, a diretora fez contato com a mãe de Patrick, Míriam Bahia da Silva, de 25 anos. Era com ela que a criança morava no município de Barcarena. O pai é separado de Míriam e foi buscar o menino para passar as festas de final de ano com ele.
VERSÕES
Em entrevista ao DIÁRIO, a conselheira tutelar que fez o primeiro atendimento a Patrick contou que não acredita na versão apresentada pela família da criança. “Para mim esse rapaz não sequestrou o Patrick e sim o achou”, afirma Ana Maria Barbosa.
A convicção da conselheira está no fato de Patrick ter contado a ela que tinha se perdido e não havia sido levado à força por um desconhecido. “Ele falou que estava sozinho. Se perdeu e que depois foi levado para a casa do rapaz que estão dizendo que o sequestrou. Ele chegou limpinho e até chorou quando se despediu do Alzimar. a esposa dele contou que o menino estava faminto e com o pés inchados, como se tivesse andado muito. Ainda deu para perceber um pouco quando ele chegou ”, disse.
Segundo a conselheira, a criança estava com várias marcas de maus-tratos e cicatrizes na cabeça. “Quando ele chegou no conselho, observamos que ele possuía várias marcas pelo corpo e duas cicatrizes na cabeça. Ele disse que apanhava da avó e que não queria voltar para a casa dela. Quando eu falei com o pai dele (Pedro Bastos), ele disse que não sabia de nada e que só poderia ter sido a mãe da criança que bateu nele. O Patrick parece ser uma criança que foi muito maltratada” (Diário do Pará)
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