Durou pouco mais de 20 minutos a operação de fiscalização realizada ontem na feira do Telégrafo. Coordenada pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) o ato tinha como objetivo flagrar irregularidades no local, mas acabou resultando em desespero e ameaças. Indignados com a aparição surpresa dos fiscais, os feirantes iniciaram um tumulto que resultou na interrupção do serviço.
A revolta foi tamanha que uma viatura da Polícia Militar e uma equipe da Ronda Tática Metropolitana (Rotam) foram acionadas para conter os ânimos. Segundo a assessoria da Sesma, um dos servidores chegou a ser agredido pelos feirantes, mas sem gravidade.
“O que eles fizeram foi um assalto ao cidadão de bem, que tira da feira o seu sustento”, contou Edilson Brito, vendedor do local. Ao lado dele, a servente Beth Belém também criticava a fiscalização. “Levaram tudo o que o meu marido tinha. Foram 45kg de camarão e 18kg de polpa de fruta perdidos. Não sei como faremos com a perda desse dinheiro”.
APREENSÕES
Após a saída dos fiscais, os feirantes que tiveram mercadorias apreendidas tentavam reorganizar as barracas. “Trabalho aqui há 30 anos e nunca alguém veio me dizer que não podia vender peixe. Como eles querem que eu adivinhe que era proibido?”, questionava chorando Cândido Machado Leite. Calculando um prejuízo de aproximadamente R$ 3 mil, ele reforçava as críticas sobre a forma radical que os fiscais teriam agido. “Levaram até R$ 600 que eu tinha comigo das vendas anteriores. Mas eu vou conseguir de volta”.
Com a situação, o trânsito ficou parcialmente interditado e causou transtornos para quem passava pela via no momento. “Nem sei ao certo o que esta acontecendo, mas imagino que seja outro protesto. Pra variar, a sociedade em geral é prejudicada pela ação de poucos”, criticou Adilson Matos, advogado. (Diário do Pará)
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