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Disputa e articulações nos bastidores da política

Faltando pouco mais de duas semanas para a eleição da presidência da Assembleia Legislativa, o clima nos bastidores ferve e exige cuidados redobrados do atual governo para evitar fissuras na base de apoio que podem comprometer todo o esforço atual para

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Faltando pouco mais de duas semanas para a eleição da presidência da Assembleia Legislativa, o clima nos bastidores ferve e exige cuidados redobrados do atual governo para evitar fissuras na base de apoio que podem comprometer todo o esforço atual para compor uma base de apoio forte e homogênea. Isso porque dois deputados estaduais de partidos aliados já revelaram que desejam disputar o cargo. Martinho Carmona, do PMDB, e o tucano Manoel Pioneiro são, até o momento, os dois aspirantes ao cargo de presidente da Casa, que tem papel fundamental para a chamada governabilidade. O presidente da AL tem prerrogativas como fazer a pauta de votações, chamar projetos que há muito tempo tramitam nas comissões, além de ajudar na relação com os deputados.

Mas não são esses os únicos motivos que atraem aspirantes ao cargo. Ser presidente da Assembleia garante grande visibilidade ao deputado, já que a Casa representa um dos três poderes do Estado (ao lado do Executivo e Judiciário). Cabe também ao presidente administrar um orçamento anual que chega próximo de R$ 300 milhões.

PREFERIDO

O tucano Manoel Pioneiro saiu na frente na disputa. É o candidato que tem a preferência do governador Simão Jatene, que trabalha nos bastidores para obter um consenso em torno do nome dele.
A bancada do PSDB já oficializou o apoio ao ex-prefeito de Ananindeua, que está autorizado a buscar apoios dentro e fora da base governista.

Na semana passada, Pioneiro fez contato com várias lideranças, mas evita falar sobre o assunto com a imprensa. “Trabalho caladinho. É meu jeito”, diz, confirmando, contudo, que trabalha para ser o presidente da Casa.

Já o peemedebista Martinho Carmona tem a seu favor o fato de ter, por enquanto, a simpatia de deputados da base e também da oposição.

Carmona diz que a candidatura dele depende do PMDB. “Estou aguardando uma posição do partido. Se o PMDB for ter candidato, estou me dispondo a ser esse candidato”, diz.
Ex-líder da bancada do PMDB na AL, o deputado estadual eleito Parsifal Pontes diz que há uma decisão do partido de pleitear a presidência da Assembleia, mas diz que o assunto ainda será tema de conversas com o governo, que só devem acontecer a partir desta semana. “Era necessário que o governo primeiro montasse a equipe para depois pensar na Mesa Diretora”.

Governo quer Mesa Diretora com diversidade partidária

O PT já realizou uma reunião e a posição inicial é não ter um candidato da oposição, pelo menos por enquanto. “Vamos buscar uma composição que fortaleça o parlamento, mas não está descartado, de acordo com o cenário, que tenhamos uma candidatura própria”, diz o petista Carlos Bordalo.
O deputado do PT afirma que a bancada que vai comandar a oposição na próxima legislatura ainda não fechou em torno de um nome. “Tomamos apenas uma posição política de defender um nome que, ao assumir a presidência, preserve a autonomia do Legislativo”. Por essa tese, diz ele, o ideal é que o presidente venha de uma legenda que não seja o PSDB, partido do governador. “Não somos contra que seja um presidente afinado com o governador, mas o ideal é que fosse alguém capaz de ajudar o governo sem limitar as prerrogativas do Legislativo”, diz, deixando claro que até agora o nome mais simpático aos oposicionistas é o do deputado Martinho Carmona, do PMDB, que já presidiu a Casa nos anos 90 e tem articulado a candidatura nos bastidores.
As eleições serão no dia 1º de fevereiro, daqui a 16 dias, uma eternidade, em se tratando de articulações políticas. Por isso, a ordem no governo é manter a cautela. O chefe da Casa Civil, Zenaldo Coutinho, que tem trabalhado nas articulações, despista ao ser indagado sobre o assunto. “Esse é um assunto da Assembleia”, justifica, mas em seguida admite que o governo tem interesse no tema e que trabalha para que a Mesa Diretora “reflita a diversidade partidária da base de apoio ao governo”.
“A base terá um candidato, mas não há preconceito com partidos”, reforça Coutinho.
Além do presidente, na eleição de fevereiro, que tem como eleitores os 41 deputados estaduais, serão escolhidos dois vice-presidentes e quatro secretários. A ideia do governo é distribuir esses cargos entre a base aliada e, com isso, fechar uma chapa de consenso. Para isso, será necessário mexer as peças com muito cuidado. Não por acaso, a eleição para a AL é sempre um grande teste para a unidade da base governista e para a capacidade de negociação do Executivo. Os próximos dias dirão como o novo governo se sairá nessa verdadeira prova de fogo. (Diário do Pará)



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