O Ver-o-Peso, com seu tradicional Mercado de Peixe, está sofrendo com a escassez de algumas espécies do pescado. O filhote, a dourada e a pescada amarela são alguns dos tipos mais difíceis de encontrar e, por isso mesmo, os que estão com o preço do quilo mais alto.
Segundo vendedores e barqueiros da feira, vários são os fatores que levam Belém a não ter mais abundância de peixes em oferta.
Marco Antônio, que há 25 anos vende peixe próximo aos barcos, na pedra do Ver-o-Peso, explicou que boa parte dos pescadores descansa das atividades durante o período de final de ano. De acordo com ele, ter a exportação como prioridade também tem contribuído para a falta de peixe nesse período do ano.
“Os (peixes) menores são os mais fáceis de encontrar. Essa falta faz com que o preço suba. Por exemplo, o filhote está sendo encontrado até por R$ 18 o quilo”, disse.
O vendedor Matias de Deus atribui ainda ao período chuvoso, ao defeso e às águas altas a escassez de pescado em Belém. “Bagre e gurijuba e a própria dourada estão com o valor bem cotado lá fora e têm sido espécies bastante exportadas”, contou.
O aposentado Lucivaldo Lins, que frequenta a feira do Ver-o-Peso para comprar peixes semanalmente, disse que faz tempo que a escassez acontece. “Hoje até que tem mais peixe, mas o preço está muito alto. Tem dourada aqui de R$ 14,50 o quilo”, reclama.
Mas a falta do pescado não afeta apenas o comprador que adquire o peixe para consumo próprio. Antônio Armando, que vende tira-gostos na barraca número 33 do Ver-o-Peso, justifica o aumento dos preços dos seus pratos por conta da alta do preço do filé de peixe. “Tem camarão que está sendo vendido a R$ 60 o quilo. Você não encontra mais filé de peixe por menos de R$ 15”.
Fernando Souza, presidente do Sindicato dos Peixeiros, alegou ainda a entressafra do pescado e frisou a questão da exportação como fundamentais para a falta de peixe no mercado. “Não há nenhum tipo de preocupação com o mercado interno. Ficam penalizados o trabalhador e o consumidor, pois a oferta está escassa, mas a procura continua a mesma. No mês que vem esse quadro deve melhorar, mas tudo deve voltar ao normal somente em abril”. (Diário do Pará)
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