As coordenações estaduais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) reunirão em São Paulo de amanhã, 24, até o dia 28, para decidir as ações que deverão desencadear este ano em todos os Estados onde há famílias em acampamentos aguardando para serem assentadas pelo Incra. Dez dirigentes do grupo do Pará participarão dos debates. Além disso, entre 17 e 20 de fevereiro será realizado o Encontro Estadual do MST Pará, em Eldorado dos Carajás. Após esses dois encontros, o movimento vai elaborar o Plano de Lutas para 2011. A pauta será entregue ao governo federal e também aos estaduais com as reivindicações atuais do movimento.
No entanto, diferente da atuação do MST nacional, que já iniciou uma série de ações no Pontal do Paranapanema, em São Paulo, o coordenador estadual do MST no Pará, Ulisses Manaças, assegura que o momento é de diálogo com o novo governo paraense.
No Estado do Pará, o MST mantém 15 acampamentos. Em 2010, o Incra realizou apenas dois assentamentos em todo o Estado. Um em Capitão Poço, na região nordeste, e outro em São Félix do Xingu, no sudeste paraense, beneficiando apenas 84 famílias no total. Porém, há quatro mil famílias acampadas em terras paraenses, aguardando serem assentadas pelo programa de reforma agrária, segundo dados do MST.
A maioria dos acampamentos de trabalhadores sem-terra está localizada no sul e sudeste do Pará, grande parte entre Marabá e Parauapebas.
Manaças explica que o MST ainda não teve nenhuma reunião formal com o governo federal e que o movimento aguarda a definição do novo superintendente do Incra em Marabá, com expectativa de diálogo sobre a pauta de reivindicação que apresentará.
Da mesma forma, ainda não foi anunciado o titular da delegacia regional do Ministério do Desenvolvimento Agrário no Pará. O movimento espera a nomeação para solicitar audiência para tratar dos assentamentos e outros pontos da pauta agrária.
MST no Pará aguarda uma sinalização do novo governo
O MST espera ter um relacionamento democrático com o governo Simão Jatene, afirma Ulisses Manaças. O movimento no Pará aguarda a sinalização do novo governador para protocolar pedido de audiência com os órgãos estaduais ligados às ações no campo. Além do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), responsável pela regularização fundiária da área estadual, o MST aponta necessidade de reunir com os representantes da Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri), Emater-PA, além de secretarias de Educação e Saúde, estas últimas, a fim de viabilizar ações para acabar com o analfabetismo no campo e dar acesso à prevenção e combate a doenças. “É preciso estruturar o campo, viabilizar o acesso aos assentamentos e dar condições de escoamento da produção. O MST está muito disposto ao diálogo”, assegura o líder do MST no Pará.
Apesar da bandeira branca estendida pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, Ulisses Manaças afirma que tem consciência que o diálogo com o governo do PSDB poderá ser mais difícil que com a administração anterior, da petista Ana Júlia Carepa. Ele relembra que nos 12 anos dos governos tucanos no Pará, a relação com o MST foi extremamente difícil, inclusive, com o episódio de Eldorado dos Carajás, em 1996, que teve saldo de 19 sem-terra assassinados pela Polícia Militar. Mas ele garante que o movimento vai protocolar pedido de reunião “de forma democrática e espera ter receptividade”.
Manaças garante que o movimento vai apoiar as ações do governo Simão Jatene destinadas a beneficiar a agricultura familiar, os trabalhadores rurais e o processo de reforma agrária, sejam de regularização fundiária, extensão e fomento para os agricultores, infraestrutura no campo e outros. “O que for política democrática, o MST vai aplaudir, mas se forem ações antidemocráticas, vamos combater”.
O líder do MST no Pará aponta que há uma demanda reprimida no Estado do Pará, aguardando a sinalização de ações do governo estadual em parceria com o governo federal. No governo petista no Pará foram criados 18 assentamentos estaduais, localizados nas regiões nordeste, sul e sudeste. “A nossa ideia é garantir o avanço dessa política de regularização fundiária, que é fundamental para a reforma agrária”,
A postura do atual governo é de manter uma posição cautelosa. Segundo o governador Simão Jatene, qualquer gestão tem a obrigação de conversar com todas as camadas da sociedade, sem, contudo, esquecer da legislação vigente e os deveres trazidos com ela. “Nosso diálogo não impedirá o cumprimento
das leis”, afirmou. (Diário do Pará)
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