O que era para ser um ambiente repleto de alegria, embalado por muitas “marchinhas” de carnaval, acabou sendo parcialmente ofuscado por uma intensa movimentação de policiais - inclusive com helicóptero - e gritos de indignação de dezenas de ambulantes. Essa foi a tônica durante a tarde de ontem (23), no bairro da Cidade Velha, em virtude de uma ação conjunta da Secretaria Municipal de Economia (Secon), Guarda Municipal, Companhia de Transporte do Município de Belém (CTBel) e polícias Militar e Civil.
No decorrer da operação, diversos ambulantes que se encontravam instalados nos arredores das praças do Carmo e do Relógio e da avenida Tamandaré (próximo à praça do Arsenal) tiveram seus produtos apreendidos (latas de cervejas, refrigerantes e outros materiais). A confusão ganhou proporções ainda maiores quando os policiais retiraram centenas de caixas de cervejas de dentro de um depósito localizado na rua Siqueira Mendes.
No local estava armazenado todo o material que os ambulantes comercializariam ao longo do evento carnavalesco. A medida revoltou os vendedores. Algumas mulheres, por exemplo, passaram mal e tiveram que ser socorridas por outras colegas. “A gente está no prejuízo, eles não. Eu perdi mais de R$ 4.000. E agora? Como a gente vai ficar. Aqui tem muito pai de família. Se dissessem pra gente que não poderia ficar aqui, a gente saía”, desabafou Lucinéia Miranda.
Celina Oliveira, diretora do Departamento de Vias Públicas da Secon, esclareceu que a operação ocorreu em função de uma determinação do Ministério Público do Estado. Segundo ela, durante a semana, o órgão convocou a prefeitura e departamentos competentes das polícias Civil e Militar para apresentar uma manifestação por escrito de moradores da Cidade Velha, na qual foram relatados vários problemas gerados pelo evento carnavalesco promovido no bairro.
Dentre as reclamações, os moradores destacaram o excessivo consumo de bebida alcoólica. Sendo assim, o Ministério Público mobilizou as instituições e recomendou a apreensão de qualquer tipo de bebida alcoólica que estivesse ao redor do evento, exceto os pontos de revenda autorizada. Com isso, a saída dos blocos carnavalescos do local foi atrasada.
O cantor Eloy Iglesias, um dos organizadores do evento, rebateu as reclamações. “Uma manifestação cultural como esta gera divisas para o município, principalmente para várias famílias. Por isso, acho complicada uma ação como esta. Grande parte da bagunça é provocada por cidadãos que não foram educados por seus pais”.
Celina Oliveira informou que os ambulantes que quiserem readquirir parte de seus materiais deverão se deslocar, a partir das 8h de hoje, até a sede da Secon. Lá, eles receberão o auto de apreensão do material, bem como terão que pagar multas e taxas. Depois, os ambulantes ficarão com o material, exceto os que contiverem bebida alcoólica.
Após a operação conjunta, o carnaval de domingo voltou para as ruas da Cidade Velha, arrastando uma multidão de foliões. (Diário do Pará)
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