Os depoimentos começarão amanhã (27), mas somente após o resultado do laudo emitido pelo Centro de Perícias Científicas de Belém é que o delegado Cristino Sanches Júnior terá mais elementos sobre o que realmente causou a morte de um bebê durante o parto, no município de Concórdia do Pará. Há suspeita de que o pescoço da criança teria sido quebrado durante a operação. Os médicos legistas deram um prazo de dez dias para a emissão do resultado da perícia.
A mãe da criança, Débora Maciel, de 23 anos, foi atendida na Unidade Mista de Saúde da cidade na manhã de segunda-feira. Segundo parentes de Débora, a orientação do médico que fez o acompanhamento pré-natal era para a realização de uma cesariana, por conta do tamanho da criança, mas a médica Maria Isa Vasconcelos, que realizou o parto, teria optado por um parto normal. A família de Débora a acusa de erro médico.
O corpo do bebê foi trazido para Belém na noite da última segunda-feira e passou por vários exames, entre eles um raio X. Ele deveria apontar se houve ou não fratura do pescoço da criança, mas segundo o delegado, isso não foi possível. De acordo com os médicos legistas, por ser uma criança muito pequena, os ossos ainda não estariam inteiramente formados, sendo imprudente afirmar apenas através desse exame o que realmente teria acontecido.
“Os médicos explicaram que onde deveria haver osso havia ainda cartilagem e que só o exame de raio X não era suficiente para afirmar se houve fratura nesse local. Outros exames já começaram a ser feitos, no pulmão, no fígado. Enfim, será feita uma avaliação geral para saber o que aconteceu com esta criança e se houve algum trauma”, afirma o delegado.
Hoje, o delegado deve ir ao hospital, onde a mãe do bebê permanece internada, para saber mais detalhes sobre a gravidez. Débora deve informar com mais precisão quais os procedimentos orientados pelo médico que a atendeu em seu pré-natal.
Na quinta-feira, o policial começa a ouvir os depoimentos da equipe de enfermeiros e técnicos que acompanharam o atendimento. O delegado afirmou que vai enviar um ofício ao Conselho Regional de Medicina notificando sobre o caso e pedindo o acompanhamento do inquérito policial.
As investigações devem durar pelo menos 30 dias, prazo para a conclusão do inquérito. Caso fique comprovado que houve culpa, segundo o delegado, a médica poderá responder por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar.
O DIÁRIO tentou ouvir a médica, mas a Secretaria Municipal de Saúde de Concórdia não forneceu o telefone ou contato. Ouvida anteontem, a secretária de Saúde Elielsa Silva disse que assim que a denúncia for formalizada, as partes serão ouvidas, com a instauração de processo administrativo. (Diário do Pará)
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