“Essa não é a Três de Maio ainda. O ‘clima’ em que eu vivia não era esse”. Esse foi o depoimento de Aldenor Barros, dono da casa 1.109, localizada quase em frente ao local onde o prédio Real Class veio ao chão. Ele retornava pela primeira vez para casa, após uma semana, ontem (7) pela manhã, quando a travessa foi liberada.
“Fiquei muito surpreso em ver que a rua já havia sido liberada e que as pessoas estão tentando retomar suas vidas”, comentou Barros. Mas ainda assim a rotina no quarteirão entre as avenidas Magalhães Barata e José Malcher continua incomum. As pessoas que precisam passar pelo local param e observam pelos tapumes a área onde há um pouco mais de uma semana havia um prédio de 34 andares erguido.
“É muito estranho passar por aqui e não ver aquele prédio. Parece que falta algo na paisagem da rua”, disse a professora Rita Terra, 35 anos. “É impossível passar aqui e não parar para olhar. A tragédia é muito grande”, falou a estudante Patrícia Solano, 22 anos. Até a movimentação dos carros era menos intensa. “O fluxo ainda não é o mesmo. Alguns carros até param para observar o lugar”, comentou o morador Reginaldo Guimarães.
PERÍCIA
A observação não ficava somente no espaço vazio. Também chamou a atenção a movimentação da perícia e de retirada do entulho. A todo instante era possível ver caminhões que saíam lotados com restos da construção e que não servem às análises do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves.
“Continuamos com a retirada dos entulhos da superestrutura que são os andares”, relatou o perito criminal do CPC Renato Chaves, Edílson Teixeira. De acordo com ele, as escavações continuam, mas de forma um pouco mais lenta e sendo orientadas para liberar o máximo que puder da estrutura. Desde sábado, está sendo cumprida uma nova etapa, com retirada de pedaços de pilares do térreo do prédio.
Ainda de acordo com Teixeira, não há previsão para o fim do trabalho. “A perícia precisa chegar na fundação e um pouco mais no solo”. O perito ainda informou que algumas partes dos primeiros andares serão levados para o Renato Chaves para compor o restante da perícia.
BLUMENAU
O único edifício em que ainda não foi retomada a rotina dos moradores é o Blumenau, que fica ao lado de onde o Real Class ruiu. Os moradores do prédio ainda não retornaram para casa por falta de água e por insegurança.
Segundo o engenheiro e morador do edifício Paulo Mota, de 53 anos, a volta para casa ainda não é certa. “Estamos com receio de voltar. E isso só vai mudar quando tivermos uma garantia de que tudo está bem”. De acordo com ele, os moradores devem pedir uma perícia mais específica para avaliar as estruturas do prédio. (Diário do Pará)
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