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Multidão acudiu vítimas do desabamento

Há duas semanas quando o gigante de concreto tombou, deixou uma nuvem de poeira e um rastro de destruição na travessa 3 de Maio. O mar de entulhos do Real Class deixou 167 pessoas desalojadas e desorientadas, precisando de notícias, respostas e algum c

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Há duas semanas quando o gigante de concreto tombou, deixou uma nuvem de poeira e um rastro de destruição na travessa 3 de Maio. O mar de entulhos do Real Class deixou 167 pessoas desalojadas e desorientadas, precisando de notícias, respostas e algum conforto.
Essa missão coube aos homens e mulheres do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Cruz Vermelha, Samu, Polícia e de outros órgãos da administração pública. Todos eles, uma equipe operacional composta por cerca de 250 pessoas, mantiveram o local, as famílias e os parentes das vítimas ‘cobertos’ 24 horas por dia. “Lidamos com estruturas colapsadas, e essa teve uma dimensão bem maior, então temos que estar habilitados para lidar com isso e passar segurança à população”, explicou o major Augusto Lima, coordenador adjunto da Defesa Civil do Pará.

Ele comandou o teatro de operações do desabamento e creditou à integração dos serviços boa parte do resultado positivo alcançado: “A forma como os órgãos municipais, estaduais e as forças armadas atuaram foi de extrema competência. Os moradores também foram pacientes, entenderam que, se pedíamos que deixassem suas casas era para a própria segurança deles”.
Boa parte dos membros da Defesa Civil são oriundos do Corpo de Bombeiros. “São três anos de formação do bombeiro profissional. Fazemos treinamento em primeiros socorros, salvamento em altura, salvamento aquático, emergências químicas, espaço confinado, combate a incêndio e técnicas de salvamento em geral”, informou o Major. Ele contou que o desabamento da frente do prédio do colégio Lauro Sodré havia sido uma das situações mais difíceis que já havia enfrentado até então. “Quando o edifício Raimundo Farias desabou há 24 anos, eu era aprendiz de escoteiro”, relembrou.

EXPERIÊNCIA

Para o major Lima, é importante que se faça ‘cases’ de situações como a queda do Real Class. “Temos desastres crônicos, que são aqueles sazonais e para os quais são feitos planos de contingência, como as enchentes, e desastres súbitos, como foi este. Só estudando o caso vamos poder avançar no gerenciamento de crises”.
O alívio era visível no semblante do Coronel Carlos Reis, dos bombeiros, quando o último corpo foi resgatado em meio aos escombros. “Queimamos a etapa das buscas, o trabalho na ‘zona quente’ terminou. Agora vai ser retirado todo o entulho, o nosso efetivo diminui, mas prosseguimos dando apoio à população até quando for necessário”, anunciava à época.
Trabalhando há 20 anos como bombeiro, o coronel relata experiências em eventos como enchentes, mas admite que nada se comparou ao prédio que ruiu. “Foi um acidente de proporções grandes, que ainda gerou um problema social, pois algumas pessoas ficaram abaladas e não querem voltar a morar aqui”.

Responsáveis por tudo mais para além da dor

À arquiteta da Defesa Civil Municipal Rosário Sá Ribeiro cabia nas horas seguintes à tragédia do Real Class dar suporte vistoriando as casas e apartamentos vizinhos e verificando os danos, gerando laudos para que as providências de consertos fossem tomados. “Além disso, nós na Defesa fizemos cursos de formação de comando e atendimento pré-hospitalar, precisamos estar prontos para emergências. Temos que saber onde atuar sem nos colocarmos em risco, procurando atender a todos na medida do possível”, enfatizou.
Rosário alerta que a lição que se deve tirar dessa tragédia é ter mais atenção com o andamento das obras, com um acompanhamento específico que possibilite a detecção de qualquer problema, evitando que incidentes ocorram. “Verificamos o que precisa ser feito, produzimos o laudo e encaminhamos para a construtora fazer o trabalho. Nossa intenção é ver as pessoas numa situação boa ao fim disso tudo”, justifica a arquiteta.

Se os bombeiros e a Defesa Civil botaram a “mão na massa”, os policiais e as forças armadas ficaram responsáveis pela segurança. O papel da Cruz Vermelha - com a colaboração de voluntários da Unimed - foi também o de prestar apoio emocional aos parentes das vítimas e pessoas desalojadas. “Nessa etapa de reconstrução e reocupação que se inicia, nossa obrigação é fazer o acolhimento social e direcionamento delas, para que retornem com tranquilidade quando as casas forem liberadas”, pontuou a secretária geral da Cruz Vermelha no Pará, Marilene Malheiros.

“Estamos aqui para acabar com a agonia de todo mundo, fazendo o trabalho difícil, mas necessário, de retirar os escombros, para que o local fique liberado para todos”, relatava o encarregado de máquinas José Mendes Siqueira. Para os moradores Fernando Moura e Pedro Bassalo, o trabalho executado por todos foi muito importante: lhes deu tranquilidade na medida do possível, além da certeza de que eles estavam fazendo o melhor pelos moradores. “Quando tudo estiver terminado aqui, vamos fazer um culto ecumênico em agradecimento a todos que participaram da operação”, prometeu Pedro. (Diário do Pará)

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