Dados sobre violência doméstica e sexual notificados em Belém no ano de 2009 e 2010 foram apresentados pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) na manhã de hoje (15), no auditório da Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan). A atividade fez parte do Núcleo de Prevenção às pessoas em situação de violência doméstica e promoção da paz no município de Belém (NUPVID) implantado em 29 de maio de 2010.
A violência doméstica é a maior causa de ferimentos femininos em todo o mundo e a principal causa de morte de mulheres entre 14 e 44 anos. Na maiorias das vezes os casos de violência são realizados por amigos, conhecidos e até parentes próximos.
De acordo com Maisa Gomes, coordenadora da Referência Técnica de Morbimortalidade por acidentes e violências da Sesma, os dados usados na pesquisa foram coletados em 3 locais de Belém: Casa da Mulher, Santa Casa e Unidade Municipal de Saúde da Sacramenta. Entre elas, os maiores números de notificação aconteceram na Santa Casa, sendo que em 2009 foram registrados 652 casos de violência e em 2010 esse a quantidade aumentou para 1.005 casos.
As ocorrências são de agressão sexual, moral, física e psicológica. Não há bairros específicos de risco, mas a maior concentração de casos notificados está em bairros de periferia, como a Terra Firme, Guamá, Telegráfo, entre outros.
Separados por gênero, em 2009 foram notificados em 54 casos de violência contra homens e 336 contra mulheres. Em 2010, os números aumentaram contra os homens: 96. Em mulheres também houve aumento: 424.
A coordenadora ainda explica que o número inferior de casos masculinos não significa que os homens sofram menos violência, e sim que há a falta de iniciativa para o registro dos casos. ”É notável a dificuldade que o homem tem de admitir que sofreu algum tipo de violência. A maioria prefere omitir e deixar o caso para trás, o que dificulta bastante nosso trabalho de notificação”, disse.
Já em relação a violência sexual, a pesquisa foi dividida em cinco categorias: assédio sexual, estupro, pornografia infantil, exploração sexual e outros tipos. Só no ano passado, em cerca de 76,1% dos casos houve a comprovação de estupro, o que representa 1.297 notificações. Outro dado preocupante é que em 2009, os casos de violência sexual contra mulheres de 1 a 9 anos representaram 76% dos casos registrados.
Milene Veloso, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), também apresentou uma pesquisa realizada sobre a temática da violência doméstica e explicou que a violência e o tráfico de drogas nas zonas de risco são tão comuns que geralmente a família dos traficantes que fazem parte das estatísticas. “Certa vez, durante um atendimento, uma criança respondeu ao assistente social que a profissão do pai era traficante de drogas. De início, nem consegui acreditar, mas estava no prontuário. Ou seja, essa criança está em um risco constante e o profissional que a atendeu provavelmente ficou com medo de represália”, conta.
Para que esse tipo de problema não interfira no trabalho de prevenção à violência na família, um grupo de trabalho concentrado na unidade do distrito D'Água tem um médico, 01 enfermeiro e 10 agentes comunitários que são encarregados no atendimento de 100 famílias. “Nós orientamos os profissionais constantemente. A notificação é essencial pra que esse quadro de violência na família mude e que possamos trabalhar em cima disso”, ressalta Milena.
Durante todo o ano de 2010 o Nupvid realizou capacitações com o objetivo de melhorar a formação dos profissionais que trabalham diretamente e indiretamente na luta contra a violência doméstica e sexual. Com as capacitações, o Núcleo pretende intensificar a prevenção para que esses casos não terminem nos prontos socorros, delegacias, ou até em uma possível morte. O profissional tem que ser capaz de identificar a presença ou suspeita de violência em diferentes casos atendidos. (Ascom/Sesma)
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