No início do século 20, uma mulher lutou para poder realizar a primeira cerimônia religiosa de matriz afro em nossa capital. Ela era Mãe Doca, que por não ter abdicado da sua fé, tornou-se símbolo do dia de hoje, 18 de março, que celebra os cultos e religiões afro-brasileiras existentes no Pará.
A data, dia do primeiro toque de tambor e da prisão dela, tornou-se, quase cem anos depois, o Dia Estadual e Municipal da Umbanda e dos Cultos Afro-religiosos, instituído pela Câmara Municipal de Belém, seguidos por grande parte da população.
Para se ter uma ideia, só na região metropolitana de Belém, existem 17 mil terreiros ritualísticos de matriz afro, segundo estimativa da Federação Espírita Umbandista e dos Cultos Afro Brasileiros do Pará (Feucabep). São casas criadas em homenagem aos Encantados, Caboclos, Preto-Velhos e Orixás que compreendem esses universos.
Luís Tayandô, pai de santo há 51 anos, é um dos que irão festejar o dia e mostrar a diversidade dos cultos de matriz afro. O seu terreiro “Rebujo do Boto Juvenal”, que leva o nome da entidade que se manifestou a ele pela primeira vez quando era criança, é uma casa de nações unidas, onde há espaço para Candomblé Nagô, Umbanda, Tambor de Mina, Pajelança e Encantaria.
“Aqui, os meus filhos de santo trabalham seguindo metodologias distintas, a nossa visão não é dissociada da realidade, unimos o tradicionalismo do candomblé com dinamismo a outros cultos, sempre tendo como guia a ancestralidade que existe em todos.”
Em Belém, hoje há homenagem às Yás e Yalodês (coquetel oferecido para as mães de santo que atuam nas seis cidades da zona metropolitana de Belém) no Mansú Nangetu Mansubando Kekê Neta. Amanhã há festas em homenagem à cabocla Jarina, a Dom José e seu José Pilintra, entidades dos cultos afro. (Diário do Pará)
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