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Engenheiro vai ser indiciado pela polícia

O delegado responsável pelo inquérito sobre a queda do edifício Real Class, Rogério Moraes Luz, confirmou que irá indiciar o engenheiro Raimundo Lobato, responsável pelo cálculo estrutural da obra. Mas o delegado trabalha com a hipótese de que não foi som

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O delegado responsável pelo inquérito sobre a queda do edifício Real Class, Rogério Moraes Luz, confirmou que irá indiciar o engenheiro Raimundo Lobato, responsável pelo cálculo estrutural da obra. Mas o delegado trabalha com a hipótese de que não foi somente o erro de uma pessoa que fez o prédio desabar. Segundo ele, houve uma falha de execução na obra, cuja responsabilidade pode recair sobre mais de uma pessoa. “Estamos investigando a fundo, trabalhando lado a lado com os peritos, e, para chegarmos à resolução e aos culpados, iremos realizar mais três oitivas (entrevistas)”.

Rogério Luz afirma ter informações suficientes para a resolução do caso, mas aguarda o laudo do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves para poder responsabilizar com segurança os culpados pelo acidente que matou três pessoas e destruiu casas.

Falhas no cálculo estrutural já foram apontadas como causa do desabamento, no laudo realizado pelo Grupo de Análise Experimental de Estruturas e Materiais (Gaema) da Faculdade de Engenharia da UFPA. O próprio engenheiro Raimundo Lobato admitiu publicamente ter errado. “Inevitável indiciar o engenheiro calculista (Raimundo Lobato), ele já assumiu que falhou ao usar uma técnica de concepção estrutural pavimento por pavimento que é equivocada para o tipo de projeto, já que deveria ter considerado as cargas no todo. Ele também contou não ter considerado a atuação do vento sob o prédio”, lembrou Rogério Moraes Luz.

Quanto às justificativas de Raimundo Lobato de que a obra teria outros problemas além do projeto estrutural, como a fundação e a utilização de concreto de má qualidade, o delegado, que é coordenador da Delegacia de Ordem Administrativa (Doa), pertencente à Divisão de Investigação e Operações Especiais (Dioe), rebate: “Até o momento não há nenhum problema nas fundações da obra, os laudos de sondagem estão ok. Mas só poderemos dizer com certeza após os peritos do CPC Renato Chaves concluírem a análise topográfica e a perícia”.

Vinte pessoas já foram ouvidas, mas o delegado diz que ainda tomará depoimentos de uma pessoa que trabalhou na área de ferros da construção, do engenheiro ex-residente da obra, cujo nome não foi divulgado, e familiares das vítimas. “Quero ouvir todos, acho importante para entender o que houve, mas garanto que a nossa mira está naqueles que provocaram a queda do prédio, pessoas que serão indiciadas por homicídio culposo”.

O inquérito deveria ter sido encerrado no dia 2 de março, mas o delegado pediu dilação de prazo para mais 30 dias, o que também deve ser ampliado, já que o laudo do CPC Renato Chaves está previsto para 15 de abril. (Diário do Pará)

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