A Prefeitura Municipal de Marabá terá 60 dias para melhorar a prestação do serviço de saúde no município. O prazo foi dado pelo Ministério Público Estadual (MPE) após dois dias de vistorias nos hospitais e centros de saúde de Marabá.
Entre as providências urgentes recomendadas à Prefeitura de Marabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, estão o controle informatizado de medicamentos, prioridade às licitações de projetos e medicamentos, cobrança de ponto eletrônico para todos os servidores, inclusive médicos, e manutenção de auditoria externa periódica. Caso as recomendações não sejam cumpridas no prazo, o MP adotará medidas judiciais de natureza cível.
Dirigida pelo perito médico Alan Henrique Medeiros, do MPE, e pela promotora Mayanna Silva de Souza Queiroz, a inspeção verificou as denúncias de falta de médicos, aparelhos, medicamentos, materiais hospitalares, condições estruturais e higiênico-sanitárias e precariedade no atendimento, entre outras questões que têm privado a população de receber tratamento adequado.
Nos postos de saúde, a intenção é fortalecer a Atenção Básica à população para não congestionar o atendimento no Hospital Municipal de Marabá. Para tanto, um corpo clínico deve ser implantado nos postos com atendimento das 7h às 19h. Reformas, aquisição de equipamentos, informatização e cumprimento de programas de saúde (como diabetes, hipertensão, controle do câncer uterino, vacinas e pré-natal) também foram apontadas como fatores necessários às melhorias.
É no Hospital Municipal que a situação é mais crítica, segundo a vistoria. Até a hipótese de terceirizar a administração da casa foi considerada. Inúmeras medidas foram sugeridas pelo MPE, mas a mais relevante foi a implantação de uma central de regulação para que o município seja ressarcido pelo atendimento a pacientes de outros municípios.
Outro ponto que deve ser priorizado é o processo de triagem para separar os casos de emergência, urgência e ambulatório, além de uma reforma na ala do hospital onde funcionam o pronto-socorro, recepção e sala de cuidados especiais, além da aquisição de equipamentos.
No Hospital Materno Infantil, além de avanços na parte estrutural e de atendimento, o MPE recomendou atenção especial na pasteurização do leite, implantação microbiologia, funcionamento da UTI neonatal, criação do projeto “Mãe Canguru” e adequação da triagem e central de regulação.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também foi inspecionado e as críticas focam o tempo de resposta aos acionamentos. O sistema de telefonia foi considerado deficiente e apontada a necessidade de descentralização, com postos avançados.
A Clínica de Doenças Renais precisa ser ampliada para atender demanda reprimida, já que a clínica é sobrecarregada por pacientes de fora do município, e resolver o déficit de quantidade e qualidade da água, em função do grande consumo de água por cada sessão de diálise dos pacientes.
CAOS NA SAÚDE
A vistoria do Ministério Público foi provocada pelas constantes denúncias da população sobre as dificuldades no atendimento médico em Marabá. (Diário do Pará)
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