Não foi ontem que o Conselho Municipal de Transportes colocou em pauta a regulamentação do serviço de mototáxi e o reordenamento dos pontos de táxi de Belém. Os dois assuntos, ainda sem definição, saíram da pauta da 27a reunião extraordinária, cuja única decisão pairou sobre a padronização estética do transporte coletivo de Belém. Foi definido que os ônibus terão suas plotagens com desenhos regionais substituídas por uma cor única. Também se discutiu a padronização do uniforme dos operadores do transporte público. A discussão sobre a regulamentação dos mototáxis foi adiada para a próxima quinta-feira (24). Já o reordenamento dos pontos de táxi, entrará na pauta do dia 4 de abril.
Segundo a diretora-superintendente da Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel) e presidente do Conselho de Transportes, Ellen Margareth, é inviável aprovar a regulamentação do serviço de mototáxi sem dados exatos sobre o número de mototaxistas, pontos de trabalho, e sem o reconhecimento de associações, federações e cooperativas.
“É preciso fazer um cadastro individual para definir o número de pessoas. Os mototaxistas possuem uma ânsia pela regulamentação, mas ela não tem impedido o trabalho deles. Temos que ter consciência de que a moto é o meio de veículo que mais mata, é responsável por inúmeros acidentes. Levando isso em conta, a CTBel e o conselho dividem essa responsabilidade".
NA EXPECTATIVA
Enquanto o conselho reunia com seus membros, vários mototaxistas aguardavam do lado de fora os resultados de uma reivindicação antiga. “A regulamentação vai beneficiar não só os mototaxistas, mas a população que precisa do transporte. Precisamos da moralidade para seguir esse serviço com segurança, pois vivemos dele”, diz o presidente do Sindicato Estadual dos Mototaxistas do Pará, José de Ribamar, o ‘Alemão’.
O Sindicato estima que existam de cinco a sete mil mototaxistas em Belém. Mas apenas 1.600 são associados. Durante a reunião, o Conselho levantou a possibilidade de conceder a autorização a dois mil trabalhadores. O número foi sugerido de acordo com um breve estudo acerca das ruas da cidade.
Realidade há bem mais tempo no interior do Estado, o serviço de mototáxi ganhou espaço na capital na medida da deficiência do transporte público. O mototaxista Diel Gomes leva de 30 a 50 passageiros por dia, com os quais garante uma renda mensal entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil. “Em pesquisas que fizemos, constatamos que cerca de 80% da população apoia o serviço. É muito mais rápido. Além disso, buscamos melhoria, sempre pensando no custo, baseando nossos valores de acordo com outros transportes oferecidos e reivindicamos também pela fiscalização e segurança”, diz Alemão.
Para a presidente da Comissão dos Bairros de Belém, Maria das Graças Pires, membro do conselho, “tem que ter uma reformulação, motos novas e motoristas capacitados. A população carente precisa do serviço oferecido pelos mototaxistas, desde que seja regulamentado”. Com informações de Tássia Almeida. (Diário do Pará)
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