A região Norte é a campeã em casos de câncer de colo de útero e mama no Brasil, tendo o Pará à frente. Em 2010, foram registrados 790 casos de câncer de útero e 640 de mama no estado. O Amazonas aparece em seguida com 560 e 310. Em todo o Brasil, foram registrados 18.430 casos de câncer de colo de útero e 49.240 de câncer de mama.
Para reverter os altos números, a presidente Dilma Rousseff - que enfrentou um câncer no sistema linfático em 2009, um pouco antes de ser lançada à sucessão de Lula - apresenta hoje em Manaus um plano de ações para o Fortalecimento da Rede de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Câncer. As medidas estão inseridas nos programas nacionais de controle dos dois tipos que mais atingem as mulheres, onde o governo federal vai investir R$ 4,5 bilhões.
Hospitais de todo país deverão ampliar o atendimento para o tratamento de câncer por meio de serviços de radioterapia e de quimioterapia, além de 50 centros para confirmação da doença. Na região Norte, serão implantados 20 novos centros especializados em diagnósticos e tratamentos da fase inicial da doença. No Pará, o centro especializado será implantado na Uremia-Unidade de Referência Materno Infantil, em Belém. “O projeto já está pronto, agora vamos entrar na fase da infraestrutura. Será uma parceria entre os governos”, contou a coordenadora estadual de Saúde da Mulher, Elisanete Carvalho.
Segundo dados do Hospital Ophir Loyola, entre 2000 e 2008 foram registrados no Pará 4.884 casos de câncer de colo de útero - que é o mais recorrente no estado - e 2.871 de câncer de mama. “São números alarmantes. Provam que a mulher paraense não está se cuidando, mesmo com a rede de assistência básica oferecendo os exames ginecológicos necessários”, observou Elisanete Carvalho.
Segundo a coordenadora, a maior parte das mulheres que fizeram ou estão em tratamento no Ophir Loyola vêm do interior. “As mulheres do interior têm vergonha de ir ao médico, principalmente quando a cidade é pequena. Acham que a notícia de que estão no ginecologista vai se espalhar e, principalmente, quando o médico é conhecido na cidade, acham que ele pode comentar. Tem também o marido ou companheiro, que acha que a mulher não deve fazer esse tipo de exame”.
PREVENÇÃO
Para a oncologista e ginecologista do Ophir Loyola, Michele Monteiro, o melhor remédio é prevenir. “A primeira forma é o autoexame das mamas. Se detectar alteração, a mulher tem que procurar o médico, que vai orientá-la a fazer a mamografia. Na faixa etária de 50 a 69 anos, a mamografia pode ser feita até uma vez por ano”.
A prevenção do câncer do colo do útero deve ser feita uma vez ao ano, com o exame preventivo, que toda mulher deve fazer a partir da primeira relação sexual independente da idade e mesmo que já não tenha atividade sexual.
O principal causador do câncer do colo do útero é o vírus Papilomas Vírus Humano- HPV. Ele é transmitido nas relações sexuais sem o uso de preservativos e leva de seis a oito anos para dar sinal de vida. “Ele demora a aparecer, geralmente quando a mulher está com baixa de resistência, podem surgir verrugas na virilha, colo do útero e na boca. Mas não só as mulheres pegam e transmitem o HPV, o homem também. O vírus também responsável pelo câncer de próstata”, explicou Michele Monteiro. (Diário do Pará)
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