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Confira o resumo do bate-papo sobre jornalismo

Nesta quarta-feira (30), o jornalista Leonardo Aquino participou do chat Guia Profissões e conversou com os internautas sobre as novas ferramentas digitais de informação. No bate-papo, ele esclareceu dúvidas sobre jornalismo, mercado de trabalho e tendênc

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Nesta quarta-feira (30), o jornalista Leonardo Aquino participou do chat Guia Profissões e conversou com os internautas sobre as novas ferramentas digitais de informação. No bate-papo, ele esclareceu dúvidas sobre jornalismo, mercado de trabalho e tendências da profissão. Leonardo é jornalista, coordenador de comunicação digital da agência Eko, especialista em comunicação digital interativa pela Universidade Nacional de Rosario (Argentina).

Confira o resumo do bate-papo sobre jornalismo:

GLAMOUR
O glamour da profissão mudou um pouco de cara. O glamour de aparecer na televisão, numa bancada de telejornal. Hoje em dia o "novo glamour" talvez seja a presença digital, o fato de estar ao mesmo tempo em todas as novas mídias. No entanto, é preciso levar em consideração que é preciso a receita de sempre para se dar bem na profissão: ler muito, escrever bem e ser bem informado.

OPORTUNIDADE
O jornalismo digital ainda engatinha em Belém. Temos apenas dois grandes portais de notícias e algumas iniciativas independentes que ainda não demonstraram ter tanto retorno financeiro para os jornalistas. O que eu vejo como tendência é a contratação de jornalistas para planejar estratégias digitais em agências de comunicação integrada. Nem todas as empresas entendem a importância das novas mídias e as tratam até como algo dispensável, algo menor. Torcemos para que esse panorama mude em breve.

PÓS-GRADUAÇÃO
Há dois cursos de mestrado em comunicação no Pará: o da Unama (que já fechou o período de inscrições) e o da UFPA (que está com edital aberto). Os editais estão disponíveis nos sites das universidades.

DIPLOMA
Esse é um tema polêmico. Eu sou contra a obrigatoriedade do diploma porque acho que há alguns valores que o jornalista traz de fora da faculdade: ética, interesse por leitura, informação. Acho que o diploma pode ser um diferencial, e não um pré-requisito para o exercício da profissão. Mas não imagine que, assim, as empresas passarão a contratar qualquer um pra ser jornalista. O bom senso (e o talento) nunca é demais.

JORNALISTAS E ASSESSORES
Assessores precisam pensar como jornalistas, estejam ou não com as novas mídias ao seu lado.
Os novos profissionais são maioria em qualquer redação ou agência de comunicação, pelo menos em se tratando de Belém. Algumas empresas possuem programas de estágio bem formatados.

NOVAS MÍDIAS
O Twitter pode ser, sim, uma boa ferramenta de difusão de informação. No entanto, o jornalista que usa o Twitter como fonte deve ter os mesmos cuidados de sempre: procurar checar a informação antes de publicar. Novas práticas não invalidam as velhas rotinas. A convergência digital tem poucos bons exemplos isolados. Acho que falta uma boa estrutura de acesso à internet (espero que melhore com a ampliação da largura de banda do Velox e a chegada da Embratel) e qualificação para os profissionais que atuam na área. Muita gente atua em comunicação digital baseada no "achismo", apenas na experiência como usuário. E não deve ser assim.
As empresas que eu sei que trabalham com consultoria digital em Belém são: Eko (onde trabalho), DC3, Door, Gamma... deve haver outras que me fogem da cabeça. Mas geralmente são agências de publicidade ou comunicação integrada.
Para convencer um "patrão" da importância de novas mídias é preciso ter argumentos. E para isso, é preciso ser um usuário experiente das novas tecnologias, estar atento às tendências do mercado e a cases bem sucedidos e usar números. Há uma grande quantidade de pesquisas sobre comunicação digital que provam por A B que fechar os olhos para as novas mídias é regredir.

REMUNERAÇÃO
Há agências que pagam muito bem e outras que nem tanto. Algumas até contratam estudantes ou profissionais pouco experientes justamente para pagar menos. Mas digamos que é um salário equivalente ao de um analista de comunicação empresarial. Em São Paulo, onde o mercado é mais amplo, os valores são muito maiores.
Sempre há espaço para os novos profissionais. Mas é importante que, acima de tudo, sejam bons profissionais tanto no talento quanto no comprometimento. O salário inicial, creio eu, está na faixa de R$1.200 a R$1.500 reais. Há empresas que pagam menos. No entanto, é importante escrever bem e ser bem informado. Isso deveria ser obrigação, mas infelizmente hoje é diferencial.

PERFIL
É importante que esse estudante tenha familiaridade com as novas tecnologias, que saiba manejá-las, mas que ao mesmo tempo saiba enxergar além das necessidades de usuário. É preciso ter uma visão mais global e um olhar mais de mercado.
O perfil de um jornalista, se tentarmos fazer o resumo do resumo é o seguinte: uma pessoa curiosa, bem informada (mas com humildade pra aprender o que não sabe), que lê bastante e escreve de forma clara. O mercado local está um pouco inchado graças à grande quantidade de faculdades de jornalismo que abriram nos últimos 6 ou 7 anos. Vejo a comunicação digital (principalmente agregada à comunicação empresarial) como uma boa nova tendência para a área.
A rotina de uma redação depende da função do jornalista e do veículo onde ele trabalha (rádio, TV, impresso, etc). Mas, para todos, há algumas práticas comuns: a leitura das notícias do dia, a alimentação de uma boa agenda de eventos e contatos e alguns telefonemas para fontes mais próximas. Isso vale para repórteres, editores, produtores e estagiários de todo tipo de veículo.

MERCADO
O mercado mudou bastante. Na minha época de estudante, havia apenas o curso da UFPA. Eram 20 e poucos jornalistas formados por ano. Todos chegavam no último ano com bons empregos. Hoje, são centenas de novos graduados todos os anos. O mercado não cresceu na mesma proporção das vagas em faculdades. Infelizmente, é grande a quantidade de empregos "meia boca" para jornalistas hoje em dia. É importante não desperdiçar nenhuma boa oportunidade durante a faculdade e começar a fazer um bom networking ainda como estudante. Deixar pra fazer isso depois de formado é tarde demais.
São Paulo é um mercado que chega a ser irreal para nós. É muito mais gente saindo das faculdades e muito mais empresas de todos os tamanhos. Não vejo o momento atual como um momento de tendência de enxugamento de redações. Mas é claro que empresas que cometem erros de gestão correm o risco de chegar a essas conseqüências.

CARREIRA ACADÊMICA
Sempre houve estudantes que preferem a carreira acadêmica. O que acontece agora é que tudo é maior em quantidade do que há 10 anos, por exemplo. Acho uma escolha saudável. Precisamos de bons acadêmicos, pesquisadores producentes e professores dedicados.

(DOL)

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