A Igreja Católica realizou, na noite de ontem, a Procissão da Fuga, também conhecida como Procissão das Tochas. Foi a retomada de uma antiga tradição da Semana Santa que não era realizada há 30 anos em Belém. A procissão saiu da Igreja da Sé, por volta das 19h, e em menos de duas horas chegou à Basílica de Nazaré, onde foi encerrada.
A Procissão da Fuga lembra o momento da prisão de Jesus Cristo, no Horto das Oliveiras, onde ele havia se refugiado para rezar “pedindo força para o momento que iria se suceder”, explica o pároco da Catedral de Belém, padre José Gonçalo. A seguir, Cristo foi traído por Judas, que o entregou aos soldados romanos com um beijo na face.
Apesar do nome, a tradição cristã retrata o momento não como uma fuga de fato, mas o refúgio de Cristo num momento em que se preparava para a crucificação. A procissão também é chamada das tochas porque os guardas romanos traziam tochas acesas nas mãos no momento da prisão, cena repetida pelos fiéis ontem à noite.
Nessa ocasião, São Pedro sacou da espada e cortou a orelha de um dos soldados, recolocada no lugar por Jesus que teria declarado: “Foi para isso que vim”. Segundo padre Gonçalo, esse momento mostra que “pela oração somos capazes de vencer as mais terríveis traições”.
A Procissão da Fuga é uma tradição da Igreja que havia se perdido desde a extinção da Irmandade do Santíssimo Sacramento, formada por leigos que organizavam o evento. A retomada, agora com a organização da própria Igreja, tem o sentido de catequizar os homens. Hoje já existe um grande número deles ligados ao terço dos homens nas paróquias “e nós tivemos essa resposta maciça”, afirmou padre Gonçalo, referindo-se às cerca de duas mil pessoas que participaram da procissão.
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