A procissão do Senhor Morto reuniu um grande número de fiéis, no início da noite de ontem. O cortejo saiu da Igreja da Sé, percorreu algumas ruas da Cidade Velha e retornou para a Sé, onde a imagem de Jesus Cristo morto permaneceu em exposição para adoração dos devotos.
Os fiéis levavam velas acesas durante todo o percurso da procissão, que durou menos de uma hora. O evento é um dos que atrai mais pessoas durante a programação da Semana Santa e lembra o momento em que o corpo de Cristo é levado por seus seguidores, depois da crucificação, para ser velado e enterrado.
Longas filas se formaram no interior da Igreja da Sé, onde as pessoas aguardavam para tocar a imagem do Senhor Morto, que ficou exposta no corredor central. Em outra fila, os fiéis aguardavam para também tocar no Santíssimo e beijar a fita que o envolvia, próximo do altar.
O cura da Sé, padre José Gonçalo, disse que, apesar da sexta-feira atrair mais gente, o evento mais importante da Semana Santa é a Vigília da Ressurreição, que é realizada de hoje para amanhã, quando todas as igrejas ficam no escuro, iluminadas somente por uma grande vela simbolizando “Cristo nossa luz que é celebrada durante o ano todo”. O cura explica que como Cristo ressuscitou não é rezada missa de sétimo dia para ele. “A Igreja celebra a vitória da vida sobre a morte”.
Para o diácono Roberto Cavalli, lembrar a paixão e crucificação de Cristo é um momento de “reflexão em busca de mudança de vida. Cristo se dá na cruz por cada um de nós. A cruz se torna uma vitória que passa a ser celebrada”.
“É um modo de fazer penitência e pedir perdão”, diz a dona de casa Sandra Pimentel, 49, que também pede proteção para sua família e “mais compaixão e igualdade entre os homens”. O marítimo Benedito Lopes Barros, 69, afirma que a fé o leva a acompanhar a procissão do Senhor Morto todos os anos “em busca da paz”. Uma busca que também move Benedito Silva Souza, 57, funcionário público. Ele diz que Cristo não merecia as torturas que sofreu, mas ele sofreu “para nos resgatar do pecado. A morte foi simbólica. Ele vive”, afirmou.(Diário do Pará)
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