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Dois dias de chuvas e estragos em Belém

A grande quantidade de água que caiu em Belém na madrugada do sábado (23) para domingo (24) deixou estragos na Travessa Mariz e Barros, no trecho entre a Avenida João Paulo II e a Rua José Leal Martins, localizado no bairro do Marco. Lá, a rua virou um ri

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A grande quantidade de água que caiu em Belém na madrugada do sábado (23) para domingo (24) deixou estragos na Travessa Mariz e Barros, no trecho entre a Avenida João Paulo II e a Rua José Leal Martins, localizado no bairro do Marco. Lá, a rua virou um rio que não desaguou rapidamente.

Os amigos Sid, 9 anos, e Rodrigo, 8 anos, jogavam bola e nadavam na água onde se via larvas, caramujos e até uma cobra, enquanto alguns tentavam atravessar e outros iam até os canos de onde jorrava água de um poço artesiano. “Aqui é sempre assim, mais pra lá ainda tá tudo cheio mesmo. Tem que descer da bicicleta, senão estraga a correia e a catraca, que já estão molhadas”, dizia o entregador de água Pedro Lopes.

Morador da travessa há 10 anos, o técnico em refrigeração Luís Otávio Santos vive numa casa elevada e contou que durante a chuva a água batia acima das calçadas e era difícil sair do local. “Graças a Deus quando a chuva vem sempre tem alguém para retirar os nossos carros daqui, mas já fiquei muitas vezes ilhado, sem conseguir sair para trabalhar”, lembrou. Para ele, a solução para os alagamentos seria abrir o canal da Timbó para desaguar no Tucunduba: “mas isso depende de vontade política, que infelizmente está em falta”, frisou.

Vizinhos dele, o casal de aposentados Leia e José Tavares disseram estar acostumados em levantar os móveis e utensílios domésticos quando a água invade a casa deles. “Não aguento mais mostrar como isso aqui está para a imprensa. Nada muda. Deviam procurar o prefeito”, enfatizou. Calçada com botas de borracha, Leia caminhava com água batendo na canela em todos os cômodos da casa: “Já mexemos nessa casa três vezes e, semana passada, ele aumento esse batente da fachada, mas não adianta, porque quando chove muito a água ultrapassa a janela, só vocês vendo”. Ela já ficou 48 horas presa em cima de uma mesa na sala: “ela vazia tudo em cima da mesa, não tinha como descer e nem como subir todas as coisas, foi terrível”, enfatizou o marido.

Seu José explicou que teve que rasgar uma parte da parede do banheiro para fazer a água escoar até o esgoto com mais facilidade, deixando a casa seca. “Agora vou botar cimento, mas não adianta muito porque o esgoto da rua está entupido. A gente que ganha só um salário mínimo, sofre com isso. Já perdemos diversos bens, às vezes até penso em ir embora para Muaná e deixar isso aqui, tenho terras lá”, desabafou o aposentado. (Diário do Pará).

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