“Nossa moradia é muito precária. É como se tivéssemos sido abandonados no meio do mato, com água, lama e os ratos”. O relato é da dona de casa Ana Lúcia Pinto, 44 anos, que mora em uma casa em palafitas na Vila da Barca, bairro do Telégrafo. As condições da casa dela e dos vizinhos é bastante precária. Água encanada, eles têm. Porém, tratamento de esgoto e coleta de lixo, não.
“Quando está muito quente e ventando muito, a gente sofre com o mau cheiro que vem de todos os lados. Não temos tratamento de esgoto. Tudo passa por baixo de nossas casas e desagua no rio que passa bem na nossa frente, além do esgoto das casas do residencial Vila da Barca. Isso é uma vergonha”, reclama Ana Lídia.
As palafitas da Vila da barca contrastam com o visual imponente do crescimento em volta. A comunidade faz fronteira com um dos principais bairros de Belém, o Umarizal. “Nem parece que estamos em uma boa localização. Aqui ficamos perto de tudo, mas longe do poder público. Nem a coleta de lixo temos. Se dependesse da prefeitura, estaríamos morando em cima de um lixão. Para ter o nosso lixo recolhido, temos que pagar R$ 2 para um rapaz recolher e o pior é que ele deve despejar em algum lugar da cidade”, conta Ana Lúcia Pinto.
A Vila da Barca faz parte da estatística triste de que apenas 6% da população da cidade de Belém possui rede de tratamento de esgoto. “Saneamento básico ainda é uma triste realidade em Belém. Somente 6% da capital têm rede de tratamento de esgoto. E ainda tem 200 mil famílias sem abastecimento de água e não temos uma solução para os resíduos sólidos. Mas essa situação deve mudar, já que a lei federal de saneamento básico estabelece que a partir de 2014 será vetado o acesso a recursos federais para prefeituras que não apresentem seus planos municipais de saneamento básico”, diz o secretário estadual de Integração Regional, Antônio José Guimarães.
Segundo o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), que foi apresentado ontem em Belém, a previsão para o país ter zerado o déficit em saneamento é para 2030. O maior objetivo do Plansab é estabelecer metas para obter bons resultados de serviços de saneamento nos próximos anos. Para isso, serão definidas estratégias que orientem a atuação dos agentes públicos e privados, em especial o governo federal.
“Queremos ouvir todos os envolvidos, como a população e os órgãos públicos. Temos que investir em gestão para reduzir as despesas. Sabemos que muito do que é investido em saneamento é desperdiçado, como a água, que é perdida em cerca de 40%, da captação até o domicílio. Por isso, o plano requer a união de esforços. Nessa fase, estamos ouvindo a todos para elaborar um parecer que vai subsidiá-lo”, explicou Viviana Simão, diretora de Articulação Institucional da Secretaria de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades. (Diário do Pará)
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