Apesar de anunciada, a falta de água que atingiu, ontem pela manhã, onze bairros de Belém, ainda pegou de surpresa algumas famílias no bairro do Curió-Utinga. Na casa de Rosemary Silva, a pressa era para encher os baldes enquanto filetes de água caiam das torneiras, às 9h. “Sorte que meus vizinhos me avisaram, senão ia atrapalhar tudo”. Melhor planejada, Cinthia e Deusidete Macêdo, mãe e filha que há 25 anos também vivem no bairro, armazenaram um camburão com água e preferiram passar o dia fora. “Nem iremos almoçar aqui porque quando falta água sempre dificulta os serviços domésticos”, diz Deusidete.
RECLAMAÇÕES
Agrupados em torno de um cano, moradores da travessa Mariz e Barros, no bairro do Marco, reclamavam do transtorno em pleno domingo. “Além de faltar muito, quando tem água em casa é de péssima qualidade, barrenta e cheia de ferrugem”, reclamou o estudante Denis Monteiro. Em sua bicicleta, ele carregava 10 garrafas de 2 litros e dois garrafões de 10 litros. “Já está virando rotina vir aqui (no cano que despeja água limpa) pelo menos duas vezes na semana”.
Quem mora em prédios e conjuntos residenciais conseguiu fugir do alvoroço devido à presença de poços artesianos e caixas d’água. Já os moradores que não têm os mesmo recursos decidiram apelar para a solidariedade. “Tinha até enchido umas panelas ontem à noite, mas não foi suficiente e vim pedir pra encher dois baldes”, conta a costureira Yolanda Pimentel. Vizinha de um prédio na Governador José Malcher, ela conseguiu com sorriso e simpatia voltar com os recipientes cheios de água. “Com tanta gente pra almoçar, já pensou se falta justo o básico?”.
A interrupção no abastecimento de água aconteceu entre 7h e 12h, nos bairros de Campina, Cidade Velha, Reduto, Umarizal, Comércio, Jurunas, Nazaré, Batista Campos, Marco, Souza e Curió-Utinga, atingindo cerca de 100 mil pessoas. O objetivo do trabalho, que afetou o 1º, 2º, 3º e 5º setores de distribuição, foi a realização de serviço de manutenção para transferência do alimentador de energia elétrica do bombeamento de água do Utinga para a subestação de energia de 69KV do complexo Bolonha. (Diário do Pará)
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