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Ratos em plantações podem transmitir hantavirose

Técnicos do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em Santarém, no oeste do estado, detectaram a existência de ratos silvestres transmissores de hantavirose em plantações nas comunidades Costa do Tap

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Técnicos do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em Santarém, no oeste do estado, detectaram a existência de ratos silvestres transmissores de hantavirose em plantações nas comunidades Costa do Tapará e Santana do Ituqui – onde, no total, mais de 400 famílias assentadas da reforma agrária cultivam, em áreas de várzea, milho, mandioca, melancia, abóbora e feijão. Na época das cheias, as famílias vivem da pesca artesanal.

O contágio de hantavirose, doença perigosa que pode levar seres humanos à morte e para a qual não existe vacina, se dá quando pessoas aspiram partículas contaminadas de fezes, urina ou saliva dos ratos. Os doentes podem desenvolver síndrome pulmonar e febre hemorrágica. De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater, Francisco Chaves, é a primeira vez em que ratos silvestres, espécie naturalmente hospedeira do hantavírus, são observados nas várzeas de Santarém. “Acreditamos que o rato possa ter chegado em barcaças ou balsas com soja vindas do centro-sul do Brasil”, especula Chaves.

Nos últimos anos, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) vem alertando que o Pará sofre surtos da doença, com incidência maior na região oeste e alta letalidade dos infectados.

Santarém

A presença dos roedores nas lavouras das comunidades atendidas pela Emater começou a ser acusada em fevereiro, quando hectares inteiros de milho foram perdidos e três unidades de observação da cultura, absolutamente devastadas. Nos outros plantios, houve prejuízos de aproximadamente 30%. Uma força-tarefa governamental, assim, visitou a região - reunindo Emater, Centro Municipal de Controle de Zoonoses (CCZ), Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O grupo de especialistas confirmou que o animal era mesmo “rato silvestre”, por meio de análises laboratoriais, e coletou amostras de sangue das pessoas envolvidas com a situação (agricultores, agentes de governo e até jornalistas) para testes sorológicos, que possam identificar o vírus incubado – já que, até o momento, ninguém ainda manifestou sintomas, e o período de incubação chega a 60 dias. Os resultados devem sair até o início de junho.

Como a Emater ainda não tem autonomia ambiental para manipular ou orientar a aplicação de veneno contra espécies silvestres, outorga possível a partir do Ibama, os extensionistas têm ministrado palestras nas comunidades para estimular medidas paliativas, como a limpeza de áreas e a construção de “aceiros” (faixas de terra que sofrem retirada completa da vegetação), porque os ratos têm medo de transitar em zonas abertas, arriscando-se a predadores.

“Trabalhamos com educação sanitária, resgates da produtividade e alguns limites de desinfecção ambiental. Outras ações são de competência de órgãos governamentais do setor de saúde pública, e já estão sendo tomadas pelos responsáveis. É um conjunto de esforços: das comunidades e das instituições”, esclarece Chaves. (Agência Pará)

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