“Quando chegou a cadeira de rodas, ela ficou muito feliz e depois que sentou, não queria mais sair dela. A cadeira era um sonho de toda a família”, disse Aline Naiana Farias, de 24 anos. A jovem é mãe de uma criança especial. Alice Nathalia Farias Velasco, de 8 anos, tem hidrocefalia (doença que acumula líquido em quantidade anormal na caixa craniana) e meningocele (uma bolsa com líquido que se forma ao longo da coluna vertebral devido a uma má formação do sistema nervoso central). Mesmo com baixa visão e sem falar, ela conseguiu expressar tamanha felicidade. “Ela sabe o que está acontecendo e ficou feliz com o presente”, diz a mãe.
Antes de ter a cadeira de rodas, a menina ficava o tempo todo deitada na cama ou em uma rede. Agora ela passeia e até toma sol todas as manhãs. O presente chegou esta semana, por meio de um padrinho solidário, o servidor público Geraldo França, motorista do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). “Eu conheci o avô da Alice, que é vendedor de churrasquinho na frente do Mangueirão. Ele me contou da dificuldade e quando eu conheci a menina, fiquei encantado. Ela é linda e precisa de ajuda”.
Geraldo comprou a cadeira e depois procurou o serviço social do TCM, para que a menina tivesse mais ajuda. “Contei sobre a cadeira e o TCM me reembolsou o valor que eu havia pago por ela”.
A família de Alice é carente. O avô, Jorge Farias, vende churrasquinho. Os pais estão desempregados e não têm como conseguir um melhor atendimento hospitalar e dar mais conforto à criança.
A cadeira foi apenas o primeiro dos sonhos realizados. O segundo é que a criança consiga fazer a cirurgia da meningocele. “Essa doença pode matar a minha filha. Ela está com uma ferida muito grande e aberta nas costas e tento há três meses a internação dela na Santa Casa, mas toda vez que vou lá, a pediatra diz que não pode fazer nada e que ela precisa dessa cirurgia”, contou a mãe.
A Santa Casa é o hospital de referência em hidrocefalia e meningocele, mas segundo a assessoria de comunicação da instituição, a demanda é muito grande. Por telefone, a assessoria informou ao DIÁRIO que a criança já está inscrita no banco de leitos, porém aguarda vaga. Na frente de Alice, outras cinco crianças com o mesmo problema aguardam a vez para o tratamento. (Diário do Pará)
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