Os procuradores do Ministério Público Estadual envolvidos na investigação das fraudes na Assembléia Legislativa do Pará (Alepa) contestaram, por meio de nota oficial, uma matéria divulgada em um veículo impresso local sobre uma suposta formação de cúpula entre eles.
Com o título “Grupo de promotores pede o afastamento de procuradores suspeitos”, a matéria foi manchete de capa na edição de ontem (5) do referido jornal e denunciava que os procuradores estariam envolvidos em um esquema para amarrar as investigações na Alepa para privilegiar e proteger o ex-presidente da Casa Domingos Juvenil (PMDB).
Um dos acusados seria o ex-procurador geral de justiça Geraldo de Mendonça Rocha, que teria ligação com Juvenil por meio da promotora Lorena de Moura Barbosa que, segundo a reportagem, teria sido nomeada ao cargo irregularmente ainda na administração de Rocha.
Em nota, os Promotores de Justiça Arnaldo Célio da Costa Azevedo, Nelson Pereira Medrado, Milton Luís Lobo de Menezes e Gilberto Valente Martins, que efetivamente estão à frente das investigações em relação às irregularidades ocorridas na Alepa, esclareceram que “não há e nunca houve qualquer interesse político visando ‘amarrar’ as investigações, com a participação do ex-Procurador-Geral de Justiça, Geraldo Rocha, ou de qualquer outra autoridade do Ministério Público, ressaltando-se que desde que o Dr. Geraldo Rocha assumiu a coordenação do GEPROC, vem dando irrestrito apoio as investigações”, e acrescentaram que “a notícia, com o teor apresentado pelo suposto grupo anônimo de Promotores, carece de qualquer credibilidade não só pelo anonimato, mas principalmente pelo conteúdo inverídico das informações contidas no suposto documento apresentado na Procuradoria Geral da República no Pará”.
A promotora Lorena Barbosa, citada na reportagem como a “articuladora” e de exercer o cargo ilegalmente, também enviou nota à imprensa esclarecendo a situação. "Quando fui nomeada, em setembro de 2010, já tinha completado quatro anos de atividade jurídica, comprovados pelo exercício de advocacia, e do cargo de Delegada de Polícia Civil do Estado do Pará. Diante da comprovação de preenchimento de todos os requisitos previstos em edital, fui empossada no dia 29 de setembro de 2010”, alegou.
Lorena finalizou a nota contestando o teor jornalístico da matéria veiculada. “Diante das inverdades que foram veiculadas, venho a público, em respeito à sociedade paraense, expor a verdade dos fatos, vez que fui ofendida em minhas prerrogativas de membro do Ministério Público do Estado, por uma reportagem que deixou de cumprir um dos preceitos básicos do bom jornalismo, que é possibilitar ao leitor ouvir os dois lados envolvidos”, desabafou.
A reportagem também foi criticada pelos Promotores de Justiça responsáveis pelas investigações. “Demonstramos nosso repúdio a qualquer tentativa de desarticular os Promotores de Justiça que estão à frente das investigações e que não será tolerada qualquer tentativa de desacreditar, perante a sociedade e a opinião pública, o trabalho do Ministério Público Paraense”, enfatizaram.
(Soraya Wanzeller/DOL)
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