Manifestantes voltaram a bloquear a rodovia Transamazônicana madrugada de hoje (9), no distrito de Miritituba, em Itaituba, Oeste do Estado. No mesmo local, já houve outras duas manifestações. Desta vez, a interdição foi organizada por famílias que se dizem afetadas diretamente pelo desastre natural que aconteceu no mês passado, quando um deslizamento de terras da encosta do Morro de Miritituba deixou quatro mortos e centenas de desabrigados.
Homens da Polícia Rodoviária Federal, juntamente com uma guarnição da Polícia Militar, foram até o local para negociar com os manifestantes, mas o máximo que conseguiram foi a garantia da passagem de ambulâncias, viaturas policiais e do Corpo de Bombeiros, carros que fazem transporte escolar e coleta de lixo urbano, além da liberação para qualquer veículo que esteja transportando pessoas doentes. Até o momento, não há nenhuma definição, e a situação permanece em condição de impasse.
O protesto foi organizado ontem (8) e a mobilização começou por volta das 2h desta madrugada. A rodovia por interditada às 4h, com pedaços de madeira, um tanque de ferro pesando cerca de 12 toneladas, além de vários pneus queimados. Ainda desavisados, motoristas que saem de Itaituba e atravessam o rio Tapajós pela balsa acabam deparando com o bloqueio, e a fila de carros vai aumentando.
Por volta das 12h15, pelo menos 50 caminhões, carros pequenos, caminhonetes e ônibus de passageiros ficaram parados no trecho de 400 metros entre o bloqueio e o porto de Miritituba. Do outro lado, ônibus, caminhões, caminhonetes e outros veículos também engrossam uma fila que já atinge mais de dois quilômetros.
Entre os carros parados, estão vários que transportam bebidas, frutas, legumes e outros produtos perecíveis. Os motoristas, por sua vez, protestam por estarem com sua viagem e negócios comprometidos. “Nós temos compromissos com dia e hora marcados. Se esse pessoal quer protestar, que proteste contra a Prefeitura. Isso aqui é uma rodovia federal”, diz o motorista Arnaldo Frömmer, do Mato Grosso.
Segundo os manifestantes, o que motivou o protesto foi a desigualdade que existe em relação à distribuição de cestas básicas, alimentos diversos e outros produtos para as famílias afetadas. Eles também dizem que os terrenos que a Prefeitura diz ter comprado para que fossem construídas as casas de quem foi remanejado das áreas de risco não é o suficiente.
“Não é possível que tenhamos que viver nessa condição de humilhação. Nós já conversamos praticamente com todo mundo, com a Defesa Civil, com o prefeito, com o pessoal da assistência social, e nada. Nós temos famílias. Precisamos de moradia. Se eles nos tiraram de um lugar, não podem simplesmente nos deixar jogados. Além disso, foram feitas várias campanhas de arrecadação de donativos para nossas famílias, mas a distribuição não chegou nem perto do que seria o ideal para atender a todos”, diz a dona de casa Aldiléa Santos.
(DOL, com informações de Mauro Torres/Sucursal do Diário em Marabá)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar