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Dia dos Namorados: o amor é para todas as gerações

Foi por acaso que Hermógenes de Lima se apaixonou por Maria de Lima. Ao fazer uma visita a um amigo pianista, conheceu a mulher que seria sua esposa por toda a vida. “Eu vi ela e fiquei assim... no ar”, lembra Hermógenes. Já Mário Nascimento conhecia Karo

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Foi por acaso que Hermógenes de Lima se apaixonou por Maria de Lima. Ao fazer uma visita a um amigo pianista, conheceu a mulher que seria sua esposa por toda a vida. “Eu vi ela e fiquei assim... no ar”, lembra Hermógenes. Já Mário Nascimento conhecia Karol Correia há algum tempo quando percebeu que sentia algo a mais por ela. Os dois costumavam sair juntos como amigos, mas foi depois da investida dele que começaram a namorar. “Ele me pedia em namoro quase todos os dias, até que eu aceitei”, conta Karol.

Apesar de histórias e contextos sociais bem diferentes, os casados Hermógenes e Maria, ambos com 93 anos, e os namorados Mário e Karol, de 23 anos, têm uma coisa em comum: ambos passaram pelas dificuldades da vida para ficar juntos e comemoram, hoje, mais um Dia dos Namorados. Dentre as narrativas de cada casal, uma palavra figura na maioria das explicações: o companheirismo.

ENTRE AS TIAS

A história de Hermógenes e Maria começou há 72 anos, quando o maior contato que tinham um com o outro era o olhar. Sentados, um em cada extremidade do sofá, e separados pelas tias de Maria, que se sentavam no meio, eles namoraram por três anos antes de casar. “O namoro naquela época era muito enrolado. Só podíamos fazer agarramento escondido, aí nós aproveitávamos”, conta Hermógenes em meio a risos.

Maria, que nunca havia namorado ninguém, ficou surpresa com o interesse do rapaz que chegou para visitar seu tio, mas se encantou por ele em uma dessas trocas de olhares. “Eu achei ótimo. Queria mesmo um rapaz assim como ele”, diz olhando para o marido de tanto tempo.

Hoje, os cuidados prometidos no momento do “sim” se mantêm mesmo após 69 anos de casados, sete filhos e muitas experiências vividas. Quando o relógio marca cinco horas da manhã, Hermógenes levanta em direção à cozinha para preparar o café de sua amada. “Passo o café, torro o pão com manteiga e levo para ela na cama”, conta. Maria, também se dedica ao marido. Cuida das roupas e demonstra carinho sempre que fala nele. “Os cuidados são recíprocos”, diz ela.

APRENDIZES

A troca de carinhos também é constante entre Mário e Karol, apesar da história ser bem diferente. Quando Mário se interessou por Karol, ela estava saindo de outro relacionamento com o qual teve seu filho Arthur Correia, hoje com dois anos. Assim como ela, Mário também já havia tido outros relacionamentos antes de namorar Karol, mas foi por ela que sentiu algo especial. “Aprendi muita coisa com ela”, afirma ele.

No início, os dois passaram por algumas dificuldades, mas o companheirismo fez com que ficassem juntos. “É preciso muita conversa, ter paciência, buscar ver o que a pessoa tem de bom”, acredita Karol. “Foi difícil. Ainda se pensa muito no que a sociedade vai falar”.

Hoje, superados os desafios, eles têm mais liberdade para sair e passar mais tempo juntos. Diferente do namoro de Hermógenes e Maria, as visitas entre os jovens são vistas com mais naturalidade. “Hoje o namoro é muito dentro do quarto. Ele entra no meu quarto, vemos filmes, saímos juntos. A mãe dele até prefere que fiquemos em casa”, conta Karol. “Quando chegamos tarde, ela dorme na minha casa, sem problemas”, confirma Mário.

Ao olhar para as brincadeiras do namorado com seu filho, Karol tem certeza da escolha que fez no início do relacionamento. “Quando nos conhecemos, o Arthur tinha oito meses. Eu vejo o carinho grande com que ele trata o meu filho. Nós temos uma relação muito boa”.

Assim como ela, é com o olhar de admiração que Mário olha a namorada. “Ela me fez mais homem”, afirma ele, que também percebe mudanças nos relacionamentos atuais. “Hoje, depende muito do casal para se manter um relacionamento duradouro. Antes o homem sacaneava muito a mulher, hoje ele sabe que se pisar na bola vai levar troco”.

(Diário do Pará)

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