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Pais são decisivos para a amamentação

Sempre que a pequena Manoela chora de madrugada, quem vai até ela é o pai, Fábio Tocantins. É dele o papel de levantar da cama, carregar e filha e levá-la até o colo da mãe, onde Manoela sacia a fome até adormecer novamente. A participação no processo de

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Sempre que a pequena Manoela chora de madrugada, quem vai até ela é o pai, Fábio Tocantins. É dele o papel de levantar da cama, carregar e filha e levá-la até o colo da mãe, onde Manoela sacia a fome até adormecer novamente. A participação no processo de amamentação da primeira filha não termina aí. Após a mamada, é ele também quem pega Manoela no colo e a prepara para voltar ao berço.

Há um mês e três dias, a rotina da família é assim, regulada a cada duas horas, quando Manoela pede pelo único alimento que conhece e precisa: o leite materno. Rose Negrão descreve a sensação de alimentar a própria filha em apenas uma palavra: “mágica”. Apesar de ter uma relação mais direta na amamentação, ela se orgulha do apoio que recebe de Fábio. “Quando eu acordo ele já está lá com ela”.

A ajuda, mais do que um momento de interação da família, é a garantia de que poderão cumprir com os planos estabelecidos antes mesmo do nascimento da filha. “Nós decidimos pela amamentação exclusiva até os seis meses de idade, então, para dar certo, tem que ter o apoio dos dois”, acredita Rose. “Tento diminuir ao máximo o cansaço dela”, explica-se Fábio.

SEGURANÇA

A intuição é confirmada pela coordenadora do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Paraense de Pediatria, Rosa Marques. “Há pesquisas que apontam que a duração do aleitamento exclusivo é maior naquelas mães que vivem em uma união estável”, afirma. “As mães que convivem com o pai da criança conseguem ter mais sucesso na amamentação, tanto em relação ao tempo quanto em relação à amamentação exclusiva”.

Segundo ela, a produção do leite pela mulher é influenciada pelo hormônio ocitocina, por isso, a situação emocional da mãe influencia na amamentação. “O leite é influenciado pelos hormônios da mãe, então ela precisa de tranquilidade”, afirma a médica. “Apesar de o pai não poder amamentar ele pode ajudar dando apoio emocional à mãe”.

Esse apoio é conhecido pela jornalista Dominik Giusti. Mãe do pequeno Antônio, de um mês e 19 dias de vida, ela contou muito com a ajuda do marido Armando Sobral durante os primeiros dias da amamentação. “Quando amamentei pela primeira vez, percebi que era um momento de descoberta tanto para mãe quanto para o bebê”.

Assim como muitas crianças, Antônio teve que aprender a pegar o peito da mãe. Nesse momento, o apoio de Armando foi fundamental para que Dominik e o filho aprendessem as técnicas da amamentação. “Tive muita ajuda da família para pegar a manha do braço para conseguir colocar para mamar, mas quando viemos para casa, ele [Armando] é quem vinha me ajudar”.

Passados os primeiros dias, a amamentação acontece naturalmente. É nesse momento que a família fica cada vez mais próxima. “É muito gostoso. É como se eu amamentasse junto. Os elos se fortalecem”, descreve Armando.

Pai do primeiro filho, ele faz questão de participar do processo. “É quando começamos a construir uma relação. A amamentação facilita esse processo”, afirma. “Só de estar segurando a mão do marido, é um apoio
fundamental”.

Cientes dos benefícios da amamentação para a saúde do filho, eles pretendem amamentar Antônio exclusivamente no peito até os seis meses, como recomendado pelo Ministério da Saúde. “Nós percebemos que a criança que mama no peito é uma criança mais forte”, acredita Dominik. “Tem muita mulher que não se permite descobrir isso”.

PEITO E SAÚDE

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), menos de 40% dos bebês com até seis meses de idade são amamentados exclusivamente com leite materno no mundo. Apesar de prevenir doenças e reduzir em até um quinto a morte de menores de cinco anos de idade, algumas mães acabam desistindo de amamentar.

De acordo com a fonoaudióloga Andrea Carla Reis, uma das grandes causas de desistência é a dificuldade que algumas mães têm de amamentar. “As mães que não conseguem colocar a criança para mamar acabam desistindo”, afirma.

Segundo ela, é normal que algumas crianças tenham dificuldade no início, mas existem técnicas que ajudam no momento da primeira mamada. “Tem a posição adequada. Sempre recomendamos que se coloque a barriga da criança com a barriga da mãe e que o bebê pegue toda a auréola do seio”.

No Estado do Pará, a última pesquisa do Ministério da Saúde, realizada em 2008, aponta um quadro mais positivo, já que 60% dos municípios do Estado obtiveram uma média de amamentação acima na média nacional.

Na época, a capital paraense foi a campeã em aleitamento materno no Brasil, quando 56,10% das crianças menores de seis meses foram amamentadas exclusivamente no peito. No mesmo período, o índice de crianças que mamaram na primeira hora de vida foi de 72,80%. (Diário do Pará)

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