Médicos vão suspender hoje o atendimento aos clientes de todos os planos de saúde durante 24 horas, para pedir reajuste nos valores pagos pelas operadoras. Apenas os serviços de urgência e emergência serão feitos. “Todas as consultas marcadas para hoje foram remarcadas para outros dias. Não serão feitos atendimentos e nem cirurgias eletivas (que não são urgentes”, informa um dos diretores do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), Wilson Machado.
Os médicos farão uma concentração às 8h em frente ao prédio da faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA), na esquina das avenidas Generalíssimo Deodoro e Bernal do Couto. De lá, a categoria segue para o Conselho Regional de Medicina (CRM), também na Generalíssimo, onde fará o sepultamento simbólico dos planos de saúde.
O Sindmepa garante que não causará transtornos. “Vamos caminhar pelas calçadas e não vamos atrapalhar o trânsito”, afirma Machado.
É a segunda vez este ano que a categoria realiza protesto nacional contra as operadoras. A primeira foi em abril. Desta vez, 23 estados e o Distrito Federal aderiram à paralisação. Dos mais de 46 milhões de usuários atendidos por planos de saúde particulares, a categoria estima que a paralisação vai afetar de de 25 milhões a 35 milhões de clientes.
A categoria pede aumento imediato no valor das consultas e a fixação de um reajuste anual. De acordo com o Sindmepa, existem médicos recebendo entre R$ 30 e R$ 50 reais por consulta no Pará. Os médicos esperam chegar a R$ 80 por consulta.
Segundo o Sindmepa, enquanto os planos de saúde foram reajustados em cerca de 150% nos últimos anos, a remuneração médica não chegou a subir 50%. “Os preços estão defasados e até agora eles não entraram em acordo. E nem deram respostas”, declara Wilson Machado.
O Sindicato dos Estabelecimentos dos Serviços de Saúde do Estado do Pará apoia a paralisação e também questiona o controle dos planos em relação aos exames. “É preciso o reajuste para melhorar a qualidade no atendimento. Eles também precisam parar de controlar o número de exames que os usuários têm que fazer. Quem sabe o que o paciente precisa é o médico”, defende o presidente do sindicato, Breno Moreira.
SERVIÇO MANTIDO
Um dos planos de saúde atingidos pela paralisação, o Sistema Hapvida Saúde enviou nota à redação, onde informa que “realiza um pleno entendimento com o principal elo da saúde: o profissional médico”.
Segundo a nota, não haverá descontinuidade no atendimento nas nove unidades da rede própria do plano no Estado. Mas a operadora de saúde pede que, para evitar qualquer transtorno, os usuários que evitem marcar consultas para o dia 21 de setembro, data marcada para a paralisação nacional dos médicos e já divulgada anteriormente.
(Diário do Pará)
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