A cada ano, aumenta o número de mortes de animais aquáticos nos rios amazônicos e na zona costeira do Brasil. As causas são muitas: poluição das águas, pesca predatória ou acidental, alterações nos ecossistemas são algumas delas.
Os desafios são grandes para quem se propõe a pesquisar a vida de mamíferos aquáticos e intervir nas situações que comprometam essas formas de vida. Eles fazem parte do cotidiano dos cinco pesquisadores do Instituto Federal do Pará (IFPA) ligados ao Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos da Amazônia (Gemam), do Museu Paraense Emílio Goeldi – Ester Bennitha, Élida Negrão, Keyla Paixão, Gabriel Almeida, Fernando Braga e Roberto Vilhena.
O Gemam é formado por 18 pesquisadores e tem como objetivo obter informações sobre as espécies de botos, baleias, golfinhos e peixes-boi que ocorrem na costa amazônica. Atualmente o grupo se empenha no monitoramento de praias na costa leste da Ilha de Marajó e em Algodoal (Maiandeua), recolhendo carcaças de botos, baleias e golfinhos encontrados mortos no litoral do Pará.
Esses locais se transformam em verdadeiros laboratórios de pesquisa. A atuação também envolve avaliação das interações entre os mamíferos aquáticos e as atividades humanas, estudos do comportamento do boto-vermelho e do boto-cinza, e busca por informações sobre as áreas de ocorrência do peixe-boi marinho e amazônico. O grupo também desenvolve ações educativas para combater a pesca predatória e a acidental, que vêm apresentando um alto índice de ocorrência.
O trabalho na costa paraense não é fácil. “Às vezes nós temos que andar 20 km em um dia, respeitando, ainda, os horários da maré. Temos que fazer o atendimento dos encalhes, que podem ocorrer a qualquer momento, e dependemos de barco para chegar aos locais”, relatam Maura Sousa e Angélica Rodrigues.
O evento mais recente foi o encalhe de uma grande baleia fin (Balaenoptera physalus), em Boa Vista de Quatipuru, nordeste do Pará. Conhecida por habitar todos os oceanos e ser a segunda maior do mundo, perdendo apenas para a baleia azul, a baleia fin atinge cerca de 27 metros de comprimento e pode pesar 100 toneladas. Foi o maior mamífero já registrado para a Amazônia.
(Ascom/IFPA)
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