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Engenheiro descarta riscos no Wing

A queda de um edifício de 32 andares no início deste ano e as notícias de problemas em outras construções na capital paraense fizeram surgir uma pergunta: quem mora ou pretende morar em prédio em Belém tem motivo para ficar preocupado? “Não. Pelo que tenh

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A queda de um edifício de 32 andares no início deste ano e as notícias de problemas em outras construções na capital paraense fizeram surgir uma pergunta: quem mora ou pretende morar em prédio em Belém tem motivo para ficar preocupado? “Não. Pelo que tenho visto, não há motivo”. Quem garante é o engenheiro especialista em teoria das estruturas, Nagib Charone Filho, um dos nomes mais requisitados da área no Pará.

Nagib comparou os casos do Real Class e o recente problema no pilar da garagem do edifício Wing e garante: as situações são completamente diferentes, embora os dois edifícios tenham o mesmo engenheiro calculista, Raimundo
Lobato.

Os temores em torno do Wing começaram no último dia 16, quando o edifício localizado na rua Diogo Moia, no bairro do Umarizal, sofreu o esmagamento de um dos pilares do prédio da garagem, ao lado da torre de apartamentos. Os moradores dos 26 apartamentos foram retirados do edifício, que continua interditado.

“Existe uma diferença muito grande entre os prédios. O Real Class era muito esbelto e alto. Tinha pouca largura, muito comprimento e uma grande altura. Eram 36 pavimentos, nove metros de largura, uns 40 de comprimento e quase 130 metros de altura. Os outros prédios que estão hoje em discussão não chegam nessa altura. Têm 26, 29 pavimentos. A diferença entre eles é quase um prédio de dez pavimentos”, diz o engenheiro, referindo-se não apenas ao Wing, mas aos cerca de 20 edifícios que tiveram Lobato como o calculista.

Especificamente em relação ao Wing, segundo Charone, há diferença também na distribuição dos pilares. “Há muito mais pilares que o Real Class. E eles são mais apoiados e têm uma forma mais quadrada. O apoiamento do prédio é totalmente diferente. A semelhança está só na forma como ele [Raimundo Lobato] modelou a estrutura. Entretanto, essas diferenças na altura, largura, comprimento e quantidade de pilares são fundamentais e fazem uma diferença muito grande”, diz o engenheiro, que descarta a possibilidade de que qualquer problema mais sério venha a ocorrer na construção. “Essa certeza vem da análise estrutural. Peguei a análise estrutural feita pelo calculista, coloquei algumas condições necessárias no prédio e verifiquei que não há riscos”.

Indagado se moraria no Wing, Nagib não titubeia. “Claro que sim. Se quiserem vender um apartamento”.

PSICOLÓGICO
Para Nagib, o edifício já tem todas as condições para ser liberado aos moradores. “Entretanto, tem aí o efeito psicológico e o efeito material que foi a constatação de que um trecho do pilar da garagem não estava com a resistência adequada e isso precisou ser verificado também na torre residencial”, diz.

O engenheiro especialista ressalta: “Todos os testes feitos nos outros pilares demonstraram que eles estão com a resistência adequada”, diz Nagib Charone Filho.

Engenheiro: pressão do vento nunca derrubou prédio
Nagib Charone já vinha analisando a estrutura do edifico Wing há cerca de dois meses. “E atestei que o prédio poderia ser habitado. Até emiti um laudo dizendo isso”.

O laudo foi feito a pedido dos donos da Construtora Porte, atendendo à determinação do Ministério Público Estadual, uma vez que o calculista tinha sido o mesmo do Real Class.

Sobre as informações de que Lobato cometeu no Wing falhas como não levar em conta a força do vento, Nagib diz que isso não pode ser considerado um erro porque era uma praxe na forma de construir.

“As mudanças na forma de construir foram ocorrendo para atender às exigências da arquitetura. “Hoje, se você colocar o pilar a menos de oito metros, o arquiteto vem na tua garganta na mesma hora. Tem que ter liberdade para os carros trafegarem dentro da garagem. Eu digo que o vento tem que ser levado em consideração, mas não existe na literatura técnica nenhum registro de edifício derrubado por pressão do vento. Há casos de ponte, galpões, casas de madeira”.
Para Nagib, o problema no pilar do Wing foi resultado de um erro na manipulação do material.

“Provavelmente, o concreto não teve a reação química de endurecimento. Não foi problema de cálculo, foi da qualidade do concreto ali naquele pilar, especificamente”.

Após o acidente, Nagib foi chamado para analisar a torre residencial do Wing. “Tomamos o cuidado de verificar o concreto de todos os pilares da garagem e logo em seguida os pilares de todo o edifício. A resistência estava adequada”. (Diário do Pará)

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