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Vice de Jatene admite voto pela divisão

O vice-governador do Pará, Helenilson Pontes, fez uma confissão ao DIÁRIO, durante entrevista em um colégio de Santarém, logo depois de votar no plebiscito sobre a divisão do Estado: “Votei sim, pela criação do Estado do Tapajós”. Pontes justificou o voto

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O vice-governador do Pará, Helenilson Pontes, fez uma confissão ao DIÁRIO, durante entrevista em um colégio de Santarém, logo depois de votar no plebiscito sobre a divisão do Estado: “Votei sim, pela criação do Estado do Tapajós”. Pontes justificou o voto, explicando que a aspiração do povo do oeste paraense é uma “demanda histórica e cultural, de 150 anos”. Perguntado por que não fez campanha a favor do voto que havia acabado de declarar, ele foi enfático na resposta: “Por lealdade, tive de ficar ao lado do governador Simão Jatene no momento em que ele sofreu ataques irresponsáveis e infamantes, de pessoas que não tiveram a dimensão do processo eleitoral e que apequenaram o debate”.

Pontes se referia aos marqueteiros da campanha do “Sim”, que na televisão e no rádio, durante o horário gratuito da Justiça Eleitoral, dispararam pesadas acusações contra o governador, responsabilizando-o pela miséria em todo o Estado e também pela criação da famigerada Lei Kandir, que desonerou de impostos a exportação de minérios extraídos do solo paraense.

Segundo o vice, ele não ia entrar num debate de “agressões inconsequentes”, mas ressalta ter manifestado sua indignação em um evento da Associação Paraense de Supermercados (Aspas), em Belém, quando declarou que não concordava com os ataques a Jatene. Sobre o resultado do plebiscito, a opinião é de que todos os lados envolvidos na campanha ganharam e também perderam. A lição que fica é que tanto o ganho quanto a perda tiveram um aspecto positivo.

O interior do Estado, na avaliação de Pontes, conseguiu mostrar claramente que precisa de “mais atenção” e que não aceita conviver com o abandono. “A população do Estado, como um todo, percebeu durante os debates que se faz necessário criar um novo modelo de gestão territorial do Pará. Esse modelo sinaliza para uma política de desenvolvimento do interior e também de integração com a capital e região metropolitana”.

Durante a entrevista, um repórter santareno indagou a Pontes se ele não tinha sido omisso com relação a se definir sobre o plebiscito, já que, além de vice-governador, sua região de origem é a que manifestou desejo de se separar do Pará. O vice rebateu a acusação de forma veemente, afirmando que desde o começo procurou agir com responsabilidade, pois estava na condição de segundo homem na hierarquia de poder no Estado. E lembrou que o próprio governador Simão Jatene foi obrigado a ir para a televisão para responder “com equilíbrio” aos ataques que tinha sofrido.

Plebiscito mostrou os problemas, diz Pontes

“Primeiro tentaram destruir o Estado do Pará; depois, tentaram destruir o governador, e eu não posso compactuar com isso, porque faço política por convicção e não por oportunismo”, enfatizou. Quanto ao plebiscito, o balanço que faz é de que foi positivo. Entende que o processo eleitoral permitiu ao Pará mostrar seus problemas para o Brasil. Problemas que não são comuns apenas às regiões paraenses, mas a todo o país. Serviu também para que fosse promovido um grande debate sobre o desenvolvimento do Estado, destacando a importância das regiões do interior nesse processo de discussão.

A pobreza e a desigualdade social mostraram de forma contundente suas caras durante a campanha. Mas o grande adversário, para Pontes, não são os governos do Pará, e sim as estruturas jurídicas que governam o Brasil. O pacto federativo, por exemplo, não permite que haja a socialização das riquezas produzidas no Estado, como as dos minérios, da floresta e da energia. Sai das urnas uma reflexão sobre as verdadeiras mudanças que precisam acontecer para que essas riquezas sejam traduzidas em benefícios para a população, sobretudo para aquela que mais se queixa do abandono.

A partir desta segunda-feira, o Pará não será mais o mesmo. As feridas continuam abertas. Levará tempo para que comecem a cicatrizar. E aí, o que vai acontecer e o que pode ser feito para diminuir o abandono daqueles que quiseram criar Carajás e Tapajós? As urnas disseram que não aceitam mais o mesmo modelo de gestão administrativa. E mais: não adianta apenas mudar o modelo de gestão. É preciso também mudar o modelo de financiamento do Estado do Pará. Se isso não ocorrer, trocaremos de governo, mudaremos pessoas, mas continuaremos a ter os mesmos problemas.

O grande adversário do Pará, hoje, é o pacto federativo. É preciso criar mecanismos para que qualquer governo dê respostas à sociedade, seja ela de Santarém, de Marabá ou de Belém. A pobreza não é privilégio de ninguém, nem do Tapajós, nem do Carajás ou do Pará que seria dividido. A pobreza está espalhada em todo o Estado. Não se pode esquecer também do Marajó, talvez a região mais pobre entre as pobres do Pará. A lição coletiva precisa ser aprendida por todos, a partir de agora. E colocada em prática por quem tem o poder de decidir o destino de 7,6 milhões de habitantes.

(Diário do Pará)

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