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Acidentes com motos subiram 50% em 2011

Um veículo compacto, que permite acesso a lugares mais estreitos, garantindo a rapidez no trajeto, a moto é uma alternativa quase sempre barata para quem não quer passar sufoco no trânsito da região metropolitana de Belém. Mas pilotar uma motocicleta requ

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Um veículo compacto, que permite acesso a lugares mais estreitos, garantindo a rapidez no trajeto, a moto é uma alternativa quase sempre barata para quem não quer passar sufoco no trânsito da região metropolitana de Belém. Mas pilotar uma motocicleta requer cuidado redobrado, o que parece, anda faltando nos condutores. Dados do Hospital Metropolitano de Belém mostram que só em 2010, foram 2.039 atendimentos por acidentes envolvendo motos. O número aumentou em 50% no ano passado, chegando a 3.026 atendimentos.

“As imprudências no trânsito com este tipo de veículo vêm aumentando de forma preocupante. Mais ainda porque as lesões estão cada vez mais graves, por falta do uso de equipamentos de segurança”. A afirmação é do traumatologista José Guataçara Gabriel, do Hospital Metropolitano. O médico diz ainda que entre as lesões mais comuns estão as fraturas de pernas, braços e cabeça. “Antes mesmo de cair no chão, o motociclista já corre o risco de quebrar os ossos da coxa, e também o pulso”,
adverte Guataçara.

A maioria dos casos é de homens entre 18 e 30 anos. O estudante Igor Silva, 25, está nessa estatística. Um acidente com outra moto só não foi fatal por causa do capacete e da mochila que usava. “As duas motos se chocaram quando o cara avançou o sinal e fui arremessado a uns 20 metros. Quando caí, o capacete quebrou e eu fui deslizando sobre a mochila. Não fosse ela eu teria perdido boa parte da pele das costas”.

Para o médico Guataçara, o que mais chama a atenção é a falta de segurança com que boa parte dos condutores saem às ruas. “Muitos podem não imaginar a diferença que o capacete faz na hora de um acidente”, diz o traumatologista. A afirmação é reforçada por Isaías Reis, coordenador de operações de trânsito da Companhia de Transportes do Município de Belém - CTBel. “Dos acidentes registrados, os que envolvem motociclistas têm o maior número de óbitos”. E completa: “O problema está nas pessoas que estão mais preocupadas em não serem multadas por suas infrações do que com a própria vida”.

Isaías se refere a uma prática já comum no trânsito, de cobrir a placa do veículo para evitar a multa. “Como a atuação da CTBel é restrita a veículos parados, estacionados ou em circulação, não podemos, por exemplo, perseguir um veículo que apresenta irregularidade. Então, ficamos de mãos atadas por não poder fazer a abordagem necessária”.

Segundo a CTBel, a ação seria mais eficaz se existisse integração entre o órgão municipal, o Departamento de Trânsito do Estado do Pará - Detran e a Polícia Militar estadual, a exemplo de outros Estados. “Nossas ações conjuntas acabam se restringindo às blitze, em momentos pontuais. Mas um convênio com a PM poderia auxiliar, para que tivéssemos fiscalização ostensiva”.

PERIGO x PRESSA
Seis pessoas dividem desconfortável e perigosamente o assento projetado para acomodar, no máximo, duas. São três crianças pequenas, uma adolescente e dois adultos trafegando pelas ruas de Marituba sem qualquer segurança. Em outro ponto, desta vez em Belém, um adulto e uma criança, que aparenta ter entre sete e oito anos também dividem o banco da motocicleta, onde somente o adulto usa o capacete.

Essas e outras infrações são facilmente encontradas em pontos mais distantes do centro da capital. Parada em uma esquina, a equipe do DIÁRIO conseguiu flagrar as irregularidades. A mais comum é a falta do capacete. Uma moto com dois homens passa ao lado do carro da equipe, ambos sem o equipamento de segurança. O carona sequer se segura: ao contrário, digita no celular e é levemente arremessado para frente quando a motocicleta para. Em cinco minutos, das 19 motos que passaram pela avenida José Bonifácio, 7 trafegavam cometendo alguma infração.

E não é por falta de aviso. Mototaxista há três anos, Rafael Damasceno, 23, conta que, das dificuldades de lidar com os usuários do transporte alternativo, convencê-los a usar o capacete é a mais constante. “Às vezes não querem usar por causa da higiene, dizem que é sujo. Mas as mulheres, principalmente, não usam quase sempre por vaidade com o cabelo”, comenta.

Além do capacete, o excesso de passageiros também é motivo de discórdia. “Como é barato, as pessoas querem mais é economizar, colocar três, quatro, quantos derem na moto. Mas a gente não leva mais, porque uma vez a CTBel chegou na hora e multou”.

FIQUE ATENTO: O QUE NÃO PODE FALTAR

- Pneus novos, como boa aderência no asfalto
- Retrovisores
- Capacetes
- Faróis acesos, inclusive durante o dia
- Antena de proteção

O QUE É PROIBIDO

- Pilotar moto calçando sandálias de dedo
- Andar sem capacete
- Andar com mais de duas pessoas na moto
- Andar com crianças menores de 10 anos (Diário do Pará)

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