O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou ontem relatório que demonstra as melhorias sociais em todos os Estados brasileiros. O estudo sobre “Vulnerabilidade das Famílias”, elaborado a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2003 a 2009, mostra que o Pará está quase na “lanterninha” dos Estados que tiveram menor redução da vulnerabilidade da população.
Enquanto o Amapá teve significativa melhora nas condições sociais de sua população, como mais acesso ao conhecimento e trabalho, mais recursos, desenvolvimento infanto-juvenil e condições de moradia, registrando queda de 18,4% quando comparados os dados de 2003 e de 2009, o Pará conseguiu reduzir em apenas 7,7% as desigualdades.
O Estado teve o segundo pior resultado do país, ficando atrás apenas do Amazonas (-6,8%) e pouco acima de Rondônia (-8,8%). A redução da vulnerabilidade foi superior a 10% para 24 dentre as 27 unidades consideradas. Todos os Estados que menos diminuíram sua vulnerabilidade encontram-se na região Norte, com exceção do Amapá. Em seguida vem o Distrito Federal (-17,8%), Maranhão (-17,7%) e Minas Gerais (-16,8%).
O relatório mostra uma queda de 14,3% no índice que mede a chamada vulnerabilidade nas famílias brasileiras e representa avanço na qualidade de vida nos domicílios nacionais. No entanto, a região Norte apresentou melhorias menos significativas em relação às demais regiões, quando analisadas as médias dos Estados e de todas as situações de vulnerabilidade.
No acesso ao conhecimento, por exemplo, a redução da vulnerabilidade na região Norte foi de apenas 1,2%, bem inferior a das outras regiões, da ordem de 7,5%. No Pará, a falta de acesso ao conhecimento teve queda de apenas 0,5%. Na Paraíba a queda foi de 4,1%. No Tocantins foi de -7,3%.
Segundo Bernardo Furtado, coordenador de estudos urbanos do Ipea, o Norte chama a atenção pela baixa evolução no período pesquisado. Segundo ele, na região há mais dificuldade da capacidade do gestor do Estado. “A dinâmica do Norte não está tão boa quanto a de outras regiões”, ressaltou o pesquisador.
Outro índice desastroso para o Pará foi com relação à falta de acesso à moradia. Enquanto outros Estados como Amapá (-10,4%), Piauí (-8,9%) e Sergipe (-6,8%) tiveram quedas significativas, o Pará registrou -0,5% neste item.
De acordo com o documento divulgado, a vulnerabilidade pode ser explicada pela restrição de acesso a oportunidades de maneiras diversas, seja pela oportunidade em si ou pela sua precária localização, pela falta de acesso à educação e ao conhecimento, ou pelos efeitos dessa falta na prevenção e profilaxia da saúde, por exemplo.
Se por um lado Estados do Nordeste apresentaram avanço, na média a região ainda apresenta índice de vulnerabilidade superior ao da região Norte. “A região Norte apresenta menor evolução dos indicadores no período, enquanto o Nordeste mantém, de longe, os maiores valores em termos absolutos”, diz o Instituto.
Segundo o Ipea, a vulnerabilidade como um todo se concentra fortemente no Nordeste, nas áreas rurais, em Alagoas, Maranhão, Piauí e interiores do Ceará e de Pernambuco.
Entre os dez Estados com os piores índices de vulnerabilidades das famílias, oito estão no Nordeste. Alagoas possui o pior resultado, seguido por Piauí, Maranhão, Paraíba, Ceará, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte, Pará e Tocantins. O Distrito Federal apresenta na pesquisa o melhor resultado, seguido por Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
De acordo com Bernardo Furtado, os índices relacionados aos fatores econômicos apresentaram um desempenho melhor, como acesso ao trabalho. “Foi o quesito com maior avanço nas regiões metropolitanas”, disse. (Diário do Pará)
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