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Assentados acusam Incra de “terrorismo”

Luma Carolina tem atualmente três anos e oito meses de idade. Ela mora num pequeno barraco de madeira num dos lotes do Projeto de Assentamento “Abril Vermelho”, criado pelo Incra em novembro de 2009. O projeto, hoje com 370 famílias, segundo o Incra - ou

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Luma Carolina tem atualmente três anos e oito meses de idade. Ela mora num pequeno barraco de madeira num dos lotes do Projeto de Assentamento “Abril Vermelho”, criado pelo Incra em novembro de 2009. O projeto, hoje com 370 famílias, segundo o Incra - ou quase 400, segundo os próprios assentados -, surgiu em decorrência da desapropriação da Fazenda Paricatuba, com 6.803 hectares, que pertencia a um complexo de imóveis de propriedade da empresa Dendê do Pará S.A. (Denpasa), no município de Santa Bárbara.

Ali, num cenário naturalmente bonito e aparentemente tranquilo, proporcionado pelas matas secundárias que bordejam a rodovia de acesso à ilha do Mosqueiro, Luma Carolina quase morreu de forma trágica na tarde do dia 21 de dezembro passado, a apenas quatro dias do Natal. Ela estava em casa com a mãe e seis irmãos, a mais velha com 14 e a mais nova, Lana Gabriele, com apenas 2 anos de idade. O pai, Marinaldo de Oliveira Moraes, fazia a colheita de mandioca para a produção de farinha no roçado da família, distante da casa cerca de 300 metros.

A monotonia em que vive (ou melhor, vivia) a família de Marinaldo - e de resto a de quase todos os assentados - foi alterada com a chegada imprevista de algumas viaturas de fiscalização do Ibama e da Polícia Federal, acompanhando o superintendente do Incra em Belém, Elielson Pereira da Silva, e alguns assessores. Eles, que já haviam estado ali dois dias antes, tinham voltado com o objetivo de paralisar as atividades de extração de paricá de um antigo projeto de reflorestamento implantado na área pela Denpasa antes da desapropriação. O paricá é utilizado pela indústria madeireira na fabricação de compensados.

Relatos feitos pelo próprio Marinaldo e por vizinhos que acorreram ao local, atraídos pela movimentação de carros e pelos gritos que viriam a seguir, conduzem à dedução de que uma tragédia chegou a se desenhar no assentamento. Um servidor do Incra, identificado apenas como Ribamar José, teria feito comentários desrespeitosos ao chefe da família, quando percebeu que ele não estava em casa. Dirigindo-se à mulher, depois de procurá-lo em vão dentro do pequeno barraco, ele teria posado de valente. “Cadê seu marido, fugiu com medo? Ele não é homem, por acaso?”. Leia mais no Diário do Pará.

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