É do local que recebe todo o resíduo arrecadado em Belém que cerca de 500 pessoas tiram seu sustento. Em contato com objetos cortantes e todo tipo de lixo que é depositado no local, os catadores que trabalham de forma autônoma no Aterro Sanitário do Aurá selecionam o que lhes serve e se expõem à contaminação de várias doenças.
Na manhã de ontem algumas destas doenças poderiam ser diagnosticadas no próprio local através de uma ação realizada pelo Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma).
Segundo a diretora do CTA, Mara Rocha, essa foi a primeira vez que o teste rápido para o diagnóstico do HIV/Aids foi disponibilizado na comunidade do Aurá. A iniciativa que possibilitaria, além do teste para o diagnóstico do vírus HIV, vacinação contra hepatite e tétano, avaliação oftalmológica e orientações sobre a saúde da mulher, deveria ter iniciado às 8h30, porém, só esteve aberta ao público cerca de duas horas após.
Com o atraso para iniciar a oferta dos serviços, até as 11h apenas cinco pessoas haviam feito o teste no local. O catador de resíduos Jackson da Silva foi um deles. Informado sobre a disponibilização dos exames no local onde já trabalha há 14 anos, ele aproveitou para checar como estava a saúde.
Ambientado com os riscos inerentes à sua profissão, Jackson já acha normal se cortar com alguns objetos descartados pelos caminhões, de qualquer modo, disse se preocupar sempre com a saúde. “Cortar a gente sempre se corta. Trabalhando com isso estamos muito expostos a tudo quanto é doença, por isso eu sempre aproveito essas coisas”.
Segundo Mara, dentre as doenças às quais os catadores estão expostos, as principais são o tétano e o HIV, em decorrência dos objetos cortantes. Ainda assim, segundo ela, são poucos os catadores que procuram as unidades de saúde para consulta. (Diário do Pará)
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