Uma obra licitada pela Prefeitura de Belém e executada no bairro da Marambaia pela empresa Nova Belém Construções (terceirizada da Belém Ambiental), transformou parte da extensão de uma rua em buraco, lama e destroços. No conjunto
Gleba I, ao longo de 5 metros da passagem Fé em Deus, estava sendo construído um sistema de escoamento de água pluvial, que em tese deveria beneficiar a população.
A confusão começou na última quinta-feira, quando as máquinas da empreiteira romperam a tubulação da água que abastecia a região. Segundo moradores, foram horas desabastecidos até que a água subisse para as torneiras. O problema chegou a ser solucionado, mas a população denunciou à Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) que o abastecimento alternava sempre que a obra continuava.
Na segunda-feira, a situação piorou com o rompimento da rede de esgoto sanitário do local. Segundo a engenheira Cleide Ferreira, representante da Cosanpa, que esteve no local, parte da rede foi destruída devido às ações das máquinas. “Recebemos denúncias e a partir disto, acionamos a Divisão de Investigações e Operações Especiais para que a perícia fosse realizada e as causas apontadas para que tomássemos nossas providências”, explicou a engenheira, referindo-se à ação de responsabilidade pelos danos que será lavrada caso o inquérito aponte erros no projeto.
ESCOAMENTO
Além de impossibilitar o abastecimento de água, a equipe do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves constatou que a empreiteira interligou dois tipos de escoamento, o sanitário e o aquático, o que, segundo o coordenador de engenharia legal do centro, é inadmissível. “A conexão que eles fizeram implicaria em drenar a água pelos esgotos junto com a rede sanitária, o que iria contaminar os leitos onde o material é despejado. Os fatos denunciados foram constatados e a perícia vai continuar, desta vez estudando o projeto e a execução”, afirmou.
O cotidiano de Benedito Vieira, 44 anos, mudou após o início dos trabalhos na via. A casa onde mora com a mulher, que é deficiente física, e seus dois filhos, está localizada exatamente na esquina das passagens do Além e Fé em Deus. O imóvel é visivelmente o mais abalado pela obra. “A água tem vindo mais escura, não há sossego, o cheiro às vezes é insuportável e, quando chove então, fica intransitável. Sou refém de algo que deveria trazer melhorias para mim”, desabafou.
O encarregado pela obra é Gerson Barreto, que acompanhou a vistoria e afirmou que a obra parou no dia em que as alterações começaram, além de admitir que a Secretaria de Saneamento do Município (Sesan), responsável pelo mapeamento da região, não informou da existência de uma rede de esgoto no local e não apontou especificamente a região por onde passaria a tubulação de água. “Acredito que tenha ocorrido alguma falha na comunicação”, disparou.
A Sesan informou, através da assessoria, que é difícil saber o local exato onde se encontram as redes de esgoto, já que se trata de informações muito antigas. Segundo a secretaria, a Cosanpa deve ter este levantamento, mas não foi procurada devido à obra ser uma ação comum que visa o “bem-estar da população”. (Diário do Pará)
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