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Marambaia: a comunidade está só

No bairro da Marambaia, em Belém, a ordem é cada um por si. Quem não é ‘considerado’ precisa desenvolver maneiras próprias de se proteger. O bairro, composto por grandes conjuntos residenciais, estampa constantemente as páginas policiais do DIÁRIO. Em um

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No bairro da Marambaia, em Belém, a ordem é cada um por si. Quem não é ‘considerado’ precisa desenvolver maneiras próprias de se proteger. O bairro, composto por grandes conjuntos residenciais, estampa constantemente as páginas policiais do DIÁRIO. Em um ano, os índices de violência chegaram a 60 ocorrências.

As pequenas placas amarelas penduradas nas grades que cercam cada casa e o som do apito que corta o silêncio noturno apontam os que podem cultivar a sensação de proteção por mais tempo. A segurança, paga pela segunda vez, vem de bicicleta e sem armas. Trabalha para marcar a presença de um território nunca dominado, mas habitado em conjuntos de grandes construções.

As casas de madeira que rodeiam o canal não têm infraestrutura. São instaladas em ruas sem iluminação, sem saneamento básico e rodeadas por lixo. Algumas portas abertas expõem cômodos apertados, sem muitos móveis ou objetos de valor. Independente disso, muitas são as paredes de madeira que abrigam modernas cercas elétricas. Ninguém está livre.

Roubos, assaltos e sequestros já fazem parte da rotina dos moradores. Feito refém duas vezes em quatro meses, Leonardo Silva (todos os nomes dessa matéria foram alterados para preservar os personagens) teve que mudar os próprios hábitos. O local de trabalho foi transferido para outro endereço. Não senta mais na porta de casa e só anda de ônibus. A ordem interna, como um código não escrito, é não facilitar.

A primeira vez que Leonardo sentiu de perto a violência que toma conta dos arredores do Conjunto Médici II, onde mora há muitos anos, foi quando teve o carro invadido por dois homens armados - um terceiro dava cobertura em um segundo carro. Foi deixado com vida, apesar do susto causado pela truculência dos homens. O carro, no entanto, nunca apareceu. “Eles são muito agressivos. É isso que assusta mais”, diz Leonardo.

Quatro meses depois a invasão ocorreu dentro de casa, onde funcionava uma espécie de oficina de criação de fantasias para concursos de beleza. Dessa vez, os assaltantes eram dois adolescentes. A sensação de impotência diante da ação dos criminosos já era conhecida - o que não diminuiu o medo. “De novo?”, foi só o que conseguiu se perguntar à época, num ir e vir de ações violentas que já parecem fazer parte do cotidiano dos moradores.

Os momentos de pânico

iniciaram quando dois meninos pediram um pouco de água na porta da casa de Leonardo. Sensibilizado, um dos funcionários levou o copo até a grade que cercava a residência. Em instantes, foi puxado e imobilizado - e acabou trancado no banheiro com os outros nove colegas de trabalho.

Leonardo permaneceu no quarto e só soube o que estava acontecendo quando ouviu um tiro. Desesperado, correu em direção da rua e viu um homem estirado no chão. Temeu pelo amigo André Santos, responsável por guardar o dinheiro. “Os dois perguntaram pelo cara de olhos verdes que era quem tinha o dinheiro”, lembra. “Tava tudo entregue”.

O alívio momentâneo veio quando descobriu que o corpo no chão era de um dos adolescentes, morto a tiros pela polícia, que chegou logo após o assaltante ter sido rendido pela vizinhança. O outro rapaz conseguiu fugir. “Depois que abriram a via para a avenida Augusto Montenegro, ficou muito pior. Agora eles têm para onde fugir”, acredita. “Aumentaram o bairro, mas não aumentaram a segurança”.

>> Leia a matéria completa no Diário do Pará

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