O dia de ontem foi de trabalho intenso para as equipes da polícia que investigam o assassinato do jovem Patrick Botelho da Silva, encontrado na noite de segunda-feira despido, amordaçado com as próprias roupas e com golpes de faca pelo corpo, na passagem Santa Tereza, área da Praia Grande, em Mosqueiro.
Ao longo do dia, pelo menos 15 pessoas foram ouvidas. Até o fechamento desta edição, a polícia não falava em prisão, mas um suspeito, o proprietário de um Gol com iniciais JVK, prestou depoimento e à noite teria sido encaminhado para o CPC Renato Chaves para realização de exames que seriam comparados com vestígios deixados no local do crime. Entretanto, a polícia também não confirma esta informação.
O veículo ficou apreendido no pátio da delegacia de Santa Bárbara. Antes de morrer, Patrick, que apresentava sinais de violência sexual, teria dito ao tio, José Maria Mesquita, que encontrasse três homens e um carro azul marinho (com placa de iniciais coincidentes com a do apreendido) que eles seriam os autores do crime. A polícia confirma que essa é uma das principais pistas com a qual trabalha, mas aguarda o resultado da perícia em roupas, latas de cerveja e preservativos encontrados no local do crime. “A partir de amanhã (hoje), a tendência é que todos os processos se agilizem, já que tem fim o feriadão de carnaval”, informou o delegado João Bosco, diretor de polícia especializada.
Muito nervosa, a tia do suspeito encaminhado para Belém aguardava notícias do sobrinho na frente da Seccional de Mosqueiro. “Só porque ele tem um carro escuro vai ser preso?”, perguntava.
A senhora informou que o sobrinho tem 22 anos e mora com ela e a filha dele em Mosqueiro. No momento da detenção, ele estaria em um “cyber” de onde, segundo a mulher, teria saído escoltado por policiais. O carro também foi levado por um agente, disse Ana. “Ele não cometeu esse crime bárbaro, ele é incapaz de matar uma formiga. Passou o carnaval inteiro em casa, não saiu para nada porque a pessoa que faria a segurança do hotel que ele tem cobrou muito caro e ele optou por ficar cuidando por conta própria”, explicou.
INVESTIGAÇÃO
O caso está sendo conduzido pela Divisão de Homicídios da PC, Núcleo de Inteligência e Seccional de Mosqueiro. Há duas linhas de investigação: uma que aponta para crime passional; outra para vingança. Mas a polícia não descarta outras hipóteses. “É muito precoce falar em uma linha específica de investigação. Todas as informações que têm chegado até nós estão sendo investigadas. É um caso difícil porque não há testemunha ocular. As investigações caminham com base nas informações coletadas e em elementos que indiquem a autoria do crime”, disse Bosco.
TESTEMUNHAS
Para fugir da atenção de curiosos em Mosqueiro, a maior parte das testemunhas foi ouvida na delegacia de Santa Bárbara. Por volta das 17h, os pais da vítima prestaram depoimento. A polícia pede que quem tenha informações denuncie através do Disque-Denúncia, 181.(Diário do Pará)
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