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Nas unidades de saúde, usuários confirmam caos

Determinação e muita paciência. Estes são hábitos que cidadãos que utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS) precisaram instituir para garantir atendimento em Belém. Por isso, quando souberam que o Pará foi considerado o Estado com pior atendimento do SUS e

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Determinação e muita paciência. Estes são hábitos que cidadãos que utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS) precisaram instituir para garantir atendimento em Belém. Por isso, quando souberam que o Pará foi considerado o Estado com pior atendimento do SUS e a capital paraense, a segunda pior do Brasil no mesmo serviço, ninguém se surpreendeu.

“Com tantas filas, falta de médicos, hospitais cheios e funcionários mal-educados só podia ter essa qualificação mesmo”, afirmou Micheli Conceição. Em frente ao Hospital Pronto-Socorro Mário Pinotti, no bairro do Umarizal, ela narrava o que acontecera com o irmão.

“Há uma semana ele foi baleado e o trouxemos para ser operado. Depois de algumas horas de espera foi feita a cirurgia e disseram que tudo estava bem e a bala não precisava ser retirada. Porém, nos últimos dias ele teve muita febre e eles decidiram abri-lo de novo, agora para retirar a bala. Tenho certeza que isso deveria ter sido feito logo, mas eles disseram que foi um ponto que arrebentou”, disse.

E como se não bastassem as supostas negligências e atendimento precário, outra reclamação recorrente é a falta de infraestrutura das unidades de saúde. “O elevador do PSM está quebrado, só vai até o segundo andar, e meu irmão tinha que ser levado para o terceiro. Se dependesse dos médicos, ele ia andando, mas exigimos que ele fosse ao menos carregado”, complementa Micheli.

PACIENTES

Segurança de uma unidade de saúde no bairro do Jurunas, F.B.S (que preferiu manter a identidade preservada), diz que já viu “coisas que contando ninguém acredita”, citando o dia em que um senhor sofreu infarto na calçada.

Porém, o que lhe marcou foi o desespero de uma mãe com o filho recém nascido doente, correndo atrás da médica, que estava indo embora. “A ‘doutora’ já ia entrar no carro quando ela se jogou no chão e implorou para atender a criança. Foi impossível não se comover. Felizmente, nesse dia a criança recebeu todos os cuidados”, lembra. Em doze anos na função, entretanto, o fato foi exceção.

“Foi uma constatação de tudo que temos visto nos últimos anos. Há um abandono da atenção básica à saúde, que exige ações de promoção e proteção como campanhas informativas e exames preventivos, respectivamente”, explica João Gouveia, diretor do Sindicato dos Médicos do Pará, ao comentar o resultado da pesquisa.

Ele ratifica que, se houvesse planejamento e execução adequados os problemas de saúde poderiam ser reduzidos em até 80%. Sobre a responsabilidade dos médicos no índice obtido pelo Estado, ele afirma que, sem a integração entre as esferas governamentais, os profissionais preferem investir em carreiras privadas e abandonam o setor público. A Sesma informou que só vai se manifestar a partir de segunda-feira.

Confira a reportagem completa no Diário do Pará

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