A rotina de trabalho do carregador Mailson Santos é intensa na Centrais de Abastecimento do Pará (Ceasa). Todos os dias ele enfrenta cerca de 40 “viagens” pelo local fazendo o transporte de frutas e verduras. Mas, as condições em que se encontram as principais vias de acesso aos pontos de carga e descarga de mercadorias dificultam ainda mais o trabalho.
São dezenas de buracos em quase todas as vias, que atrapalham o dia a dia de quem transita pelo local. Em alguns pontos, a água está empoçada e a rua fica cheia de lama. A situação é denunciada pelos trabalhadores do local, que se dizem prejudicados com o problema.
“Aqui é muita dificuldade, faz tempo que as ruas estão nessa situação”, conta Mailson. Mesmo tentando des-
viar dos buracos, ele afirma que os acidentes com cargas já são comuns durante o transporte dos produtos. “O carrinho vira e cai muita mercadoria, principalmente à noite quando não dá para enxergar bem. Uma vez virou um carregamento de tomate, um prejuízo de uns R$ 300”, diz.
Dário Chapolin trabalha há 20 anos na Ceasa, onde possui um box de vendas de mercadorias. Segundo ele, a situação das vias fica mais difícil a cada ano. “Com o tempo só vai piorando. Os carrinhos levam cerca de mil quilos e às vezes tombam e estraga muita mercadoria, além de maltratar muito o funcionário porque precisa fazer um esforço bem maior. Com dois ou três anos de trabalho aqui o carregador já quer se aposentar”.
Quem trabalha com frete para fora da Ceasa também reclama da situação das vias, que já motivou até protestos por parte dos feirantes e carregadores, que chegaram a fechar a estrada da Ceasa no início deste mês.
Edgar Cabral faz fretes de mercadorias há 30 anos na Ceasa. Ele conta que os buracos deterioram muito o veículo. “O carro quebra muito, dura pouco tempo. Todos os meses gasto com oficina, às vezes chega até a R$ 500 de prejuízo”, reclama.
RESPOSTA
Mário Raposo, presidente das Centrais de Abastecimento do Pará, informou que está ciente dos problemas da Ceasa e que, desde fevereiro do ano passado, já deu início, junto à Secretaria de Estado de Transporte (Setran), a um pedido de revitalização e recuperação asfáltica e também da sinalização horizontal e vertical. “O processo foi interrompido em setembro de 2011 por conta de um problema no qual a área contemplada com a revitalização seria apenas a da estrada do porto”, disse.
Segundo Mário, o processo acabou parando porque o orçamento governamental fechou e só reabriu no final de janeiro. “Assim que tomei conhecimento, entrei em contato com a Setran para retomarmos o procedimento e, na última segunda-feira, fui informado de que no prazo de 15 dias o secretário iria reunir com os carregadores e permissionários para tratar da obra de revitalização”, informou Raposo.
A Setran, por sua vez, informou que vai abrir processo licitatório para fazer serviço de conservação do pátio da Ceasa e vai aguardar dotação orçamentária para realizar a obra. (Kamilla Vulcão)
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar