Pelo menos cinco vezes por dia você ingere alimentos. Os rituais podem ser distintos. Um lanche rápido, um jantar elaborado, um almoço em família... Independente da necessidade biológica, comer é um ato fundamental de nossa rotina e, sem alarde, significa muito do que fomos e da história traçada pelo nosso povo. É a história registrada em sabores, deleites, gostos, aromas, sensações.
A culinária é tida, pelo menos desde o Renascimento, como uma arte. Arte de confeccionar alimentos, explica o historiador Aldrin Figueiredo. “Os alimentos, receitas e modos de preparo variam de região para região, não só porque os ingredientes dependem do clima, como também as técnicas culinárias e os próprios utensílios”. Como exemplo, ele cita a cataplana - um recipiente para cozinhar alimentos típico do sul de Portugal -, as gamelas do Nordeste do Brasil e os alguidares do interior da Amazônia.
Segundo o historiador, a cozinha muitas vezes também reflete outros aspectos da cultura, como a religião e demais crenças. “Na Amazônia se acredita no poder dos alimentos como sendo ‘remosos’, ou seja tóxicos, se misturados a outros alimentos que não combinam, como o açaí com limão ou leite, por exemplo”, conta.
Por isso, tudo o que comemos, os instrumentos que usamos, os rituais que instituímos são fatores de diferenciação cultural. Segundo a antropóloga Regina Reis, a culinária não é apenas um reflexo da trajetória de um povo. Ela é sua própria cultura. “A cultura é o nosso chão, texto, mundo e modos de viver. Não existe povo sem cultura. Sobre os rituais, a nossa vida é toda ritualística. Precisamos disso”, afirma.
É o caso da cozinha do Pará, que após conquistar a devoção de moradores daqui e também de visitantes, tem ganhado o mundo com seus ingredientes exóticos, provenientes de uma terra onde a riqueza natural surpreende, reconquista e enche de orgulho o povo paraense. (Diário do Pará)
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