Mototaxistas que tiveram os veículos apreendidos pela Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel) atearam fogo em pedaços de paus e pneus, ontem pela manhã, na estrada de Outeiro. Categoria reclama que a CTBel reteve os veículos mesmo a documentação estando em dia.
Leonan Ferreira, mototaxista, contou que os documentos foram apresentados e estavam regulares. “A CTBel veio e levou seis motos, mesmo estando tudo certo com os documentos. Eles diziam que se o dono não tivesse lá ou se estivesse sem um retrovisor iam levar”, relata.
Para o diretor da Associação de Moradores do Fidelis, Carlos Cutrim, a manifestação precisava ser feita. “Não é a primeira vez que eles fazem isso, mas hoje o povo não aguentou mais. Moro aqui há 40 anos e conheço cada um desses mototaxistas, todos homens de bem e pais de família”.
A confusão começou por volta das 11h, quando a apreensão foi feita. Segundo Leonan, que teve sua moto recolhida, a PM mediou a negociação com a CTBel. “Eles levaram as motos, aí fechamos a rua, a PM veio aqui e garantiu que as motos estariam na barreira da PM, aqui na entrada de Outeiro, fomos lá e a CTBel já tinha levado as motos, voltamos e mantivemos a rua fechada”.
Segundo um agente da CTBel que participou da fiscalização que apreendeu as motos, José Pantoja, as motos foram recolhidas porque estavam sem documentos. “Quando começamos a checagem, alguns disseram que ia buscar os documentos dos veículos. A busca demorou e já estávamos recolhendo as motos”, afirma.
Quase uma hora depois, alguns troncos de árvores torrados e mais uns pneus queimados, todos entraram em um acordo. Os mototaxistas que tiveram as motos recolhidas foram levados até a sede da CTBel para resgatarem os veículos.
TRÂNSITO
A interdição ocorreu na entrada do bairro do Fidelis, passando a ponte que dá acesso a Outeiro. Com as duas pistas interditadas, ninguém conseguia sair e nem entrar no distrito. A barricada prejudicou Vera Lúcia Santos, portadora de deficiência física que só pode se locomover em cadeira de rodas. “Eu tava saindo de Outeiro, tive que descer do ônibus, atravessar o protesto e ir para outro ônibus do outro lado, mas mesmo assim não tem como sair daqui”, conta.
O engarrafamento se formou e se estendeu por 1 quilômetro de cada lado. Alguns apressados que não sabiam o motivo do engarrafamento pararam na pista da contramão. Os carros que iam estavam de frente para os que voltavam e ninguém conseguia mais sair do lugar. O condutor de um carro resolveu tentar furar o engarrafamento, passando por fora da pista numa área enlameada, mas atolou o carro.
As viaturas da CTBel e da PM também ficaram paradas no engarrafamento e ninguém orientava a confusão. Até que uma jovem desesperada, Albertina Almeida, corria chorando e pedindo ajuda. “Minha irmã está passando mal, preciso sair daqui com ela, me ajudem”. Foi quando os agentes da CTBel começaram a orientar o trânsito, que só fluiu por volta das 13h. (Diário do Pará)
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