Ainda era início da manhã, mas uma densa fumaça já tomava o ar no bairro da Fé, na rodovia do Tapanã. Por ironia ao nome, o sinal, avistado a metros do local, era um protesto justamente à descrença da população com o poder público. A via, próxima ao perímetro da rua Haroldo Veloso, foi interditada com a queima de entulhos para que a população e gestores municipais conseguissem discutir propostas para os problemas. “Estamos há vários meses numa situação precária. A rodovia (do Tapanã) está cheia de buracos que crescem cada vez mais com as chuvas. Eles taparam os buracos na avenida paralela e não fizeram nada aqui. Isso está se tornando motivo de preocupação pros moradores. Ontem (terça-feira) uma criança se feriu ao cair em uma cratera, quando seguia com o pai na bicicleta e ele não conseguiu ver o buraco coberto de água”, afirmou Reginaldo Dias, um dos manifestantes.
A manifestação durou cerca de duas horas, até que moradores e funcionários da Secretaria de Municipal de Saneamento (Sesan), encarregada pela operação tapa buracos, chegaram a um consenso. A Sesan se comprometeu a resolver os problemas ainda ontem. Caso os reparos não sejam feitos, moradores prometem interditar novamente a via. O Corpo de Bombeiros fez a limpeza da pista.
AUGUSTO MONTENEGRO
Moradores também interditaram ontem a avenida Augusto Montenegro para cobrar melhores condições estruturais no bairro Parque Verde. Com cartazes nas mãos eles criticavam a prefeitura pelos problemas com saneamento, segurança e pavimentação.
Policiais militares conseguiram liberar a via, cujo fechamento resultou em congestionamento. Todos os veículos precisaram tomar um desvio pelo bairro do Bengui. Às 9h30, o trânsito foi liberado, com a chegada de equipes da Sesan.
Já acostumada a situações assim, a universitária Ludmila Santos não se deixou irritar. Abriu um livro e esperou calmamente na parada de ônibus até o finaal do protesto, mesmo tendo perdido a primeira aula. “Não dá para se estressar porque quem mora pra cá e passa pela Augusto Montenegro já viu todos os tipos de protesto, em todos os horários. Temos que contar com a compreensão dos outros mesmo. Não há nada que se possa fazer”, comentou resignada. (Diário do Pará)
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