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Transuni: circulando fora da lei

Pelo segundo dia consecutivo, a empresa Transuni Transporte descumpriu a ordem judicial determinando a suspensão de suas atividades. Ontem, pela manhã, o DIÁRIO flagrou veículos da companhia circulando nos bairros do Tapanã e Bengui. Entretanto, o diretor

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Pelo segundo dia consecutivo, a empresa Transuni Transporte descumpriu a ordem judicial determinando a suspensão de suas atividades. Ontem, pela manhã, o DIÁRIO flagrou veículos da companhia circulando nos bairros do Tapanã e Bengui. Entretanto, o diretor-presidente da empresa garantiu que a companhia estava seguindo a determinação da justiça.

“Nossa frota está parada hoje (ontem), com a exceção de 18 ônibus que cobrem as linhas de Mosqueiro. A ordem judicial não cita o distrito, por isso não suspendemos nossas atividades por lá”, disse Ismael Andrade.

A decisão é a do juiz titular da 2ª Vara de Fazenda Pública da Capital, Marco Antônio Lobo Castelo Branco, que proibiu a Transuni de rodar, atendendo à ação movida por cinco empresas de ônibus, que alegam que a Transuni comete superposição de linhas (quando uma linha inclui mais de 40% do itinerário de outra) e não participou de processo de licitação para executar o serviço de transporte na capital.

“Encaramos como equivocadas as duas acusações. Nunca houve licitação para oferta de serviço de transporte público em Belém. A prefeitura faz um estudo técnico e é dada uma concessão de serviço pela CTBel (Companhia de Transporte de Belém). Quanto ao argumento de sobreposição de linhas, a lei orgânica do município proíbe a exclusividade de linhas para determinada empresa. Na nossa opinião, o juiz foi induzido ao erro. Essas empresas querem o monopólio do serviço de transporte público”, argumenta Ismael Andrade. O recurso da Transuni contra o processo foi entregue ontem à justiça. Até o fechamento desta matéria, a CTBel ainda não havia expedido as ordens de serviço de reforço de linhas de outras empresas para suprir a demanda.

SUFOCO

Enquanto a briga segue na justiça, a professora Josia Loiola convive com a incerteza. Moradora do bairro do Bengui, ela depende do serviço da Transuni para fazer o itinerário de casa para a escola em que trabalha. “Assim como eu, vários professores chegaram atrasados pela falta de ônibus. Alguns esperaram até uma hora na parada. Nós precisamos de mais linhas, não tirar o que já tem”, conta.

A atendente Gleysa Almeida, 28, moradora do bairro Nova Marambaia, percebeu o impacto da suspensão na superlotação dos ônibus de outras linhas. “Os ônibus que circulam no conjunto estão rodando livremente. Agora os que vão na direção do Eduardo Angelim, Icoaraci, eu não vi passar. A proibição atrapalha pra todo mundo porque os ônibus ficam cheios”, atenta.

A insatisfação de populares também chegou à Câmara Municipal de Belém. O vereador Marquinho do PT decidiu ingressar individualmente na disputa judicial, pedindo inserção no processo como parte interessada. “Estou representando o interesse da população, que foi o grupo verdadeiramente afetado com essa decisão”. Segundo o parlamentar, o juiz Marco Antonio Castelo Branco não levou em conta a realidade da capital paraense. Caberá ao próprio magistrado aprovar ou não a inserção do vereador como terceiro integrante na ação. (Diário do Pará)

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