O Brasil vive uma verdadeira epidemia de doenças renais. Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, hoje já são mais de 10 milhões de brasileiros que sofrem com a doença, 90 mil fazem hemodiálise. No Pará, hoje, cerca de 2 mil fazem hemodiálise, quase o dobro do registrado no ano passado (1.200) e 400 já fizeram transplante renal. Diante dessa situação, a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) lançou a campanha “Rins em defesa da vida”, promovendo ações de conscientização e prevenção, tendo como gancho as comemorações do Dia Mundial do Rim, lembrado toda segunda quinta-feira do mês de março.
Ontem, a ação aconteceu na praça Batista Campos, pela manhã, com a realização de exames gratuitos de glicemia, medição da pressão arterial e urina. Os funcionários da Sespa também fizeram palestra sobre hábitos alimentares saudáveis.
Os problemas renais estão relacionados com outras doenças, como a hipertensão e a diabetes, que acabam levando à insuficiência renal. Daí a realização dos exames preventivos.
Com 30 milhões de hipertensos e sete milhões de diabéticos e 17% da população envelhecida, os problemas renais se agravam cada vez mais, alerta o secretário de Estado de Saúde, Hélio Franco. “A insuficiência renal é um problema mundial de saúde”, afirma, destacando a importância da prevenção: “As pessoas entram 10 anos antes na hemodiálise por falta de diagnóstico precoce. È preciso sensibilizar as pessoas para proteger os rins”.
Segundo o secretário, é preciso também sensibilizar os gestores municipais para a prevenção dos problemas renais, já que, constitucionalmente, são os municípios que respondem pela atenção primária.
A presidente da Associação dos Renais Crônicos e Transplantados do Pará, Belina soares, se alarmou diante do resultado da ação realizada na última quinta-feira, no Ver-O-Peso. Dos cerca de mil atendimentos feitos, 80% apresentaram hipertensão arterial e muitos, diabete. Os rins não fazem somente a filtragem do sangue, mas também controlam a pressão arterial. “Não adianta cuidar só do coração, é preciso tratar também dos rins. Tratar só o coração não resolve”, alertou.
“Queremos sensibilizar a esfera governamental e a população para essa epidemia, literalmente, que estamos vivendo”, disse o presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia – Regional Pará, Luis Cláudio Pinto.
O renal crônico (os rins dele não funcionam) Carlos Genu, 54, faz quatro hemodiálises por semana para sobreviver, há cinco anos, e alerta as pessoas: “Não é fácil ficar dependente, refém, prisioneiro da máquina. Se não marcar o ponto, morre”.
Para a técnica de enfermagem Maria de Lourdes Moraes Barreto, 52, esse tipo de ação “ajuda muito as pessoas que não têm consciência”. Já a estudante Ana Paula, 17, que quer evitar a doença que a mãe carrega, acha importante o trabalho da Sespa. “Tenho caso na família e preciso me cuidar melhor para não ter o mesmo problema”. A programação também teve apoio da Escola Superior da Amazônia (Esamaz). (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar